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04 agosto 2026

Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves: História, Meio Ambiente e Patrimônio Cultural de Belém

Um pedaço da Floresta Amazônica no coração da cidade

Ao observar uma fotografia do Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves, em Belém (PA), é possível perceber muito mais do que árvores e jardins. A imagem revela a convivência entre natureza, história e sociedade, mostrando como os espaços verdes urbanos desempenham um papel fundamental na preservação ambiental e na qualidade de vida da população.

Inaugurado em 1883, durante o período conhecido como Ciclo da Borracha, o Bosque Rodrigues Alves foi planejado para representar um fragmento da floresta amazônica dentro da cidade. Seu nome homenageia o presidente brasileiro Rodrigues Alves, que governou o país entre 1902 e 1906. Atualmente, o bosque é considerado um dos principais patrimônios históricos, ambientais e turísticos da capital paraense.

A história por trás da paisagem

No final do século XIX, Belém viveu um período de grande desenvolvimento econômico graças à exportação da borracha. A riqueza gerada por essa atividade permitiu a construção de teatros, praças, avenidas e jardins inspirados nas grandes cidades europeias.

Nesse contexto, surgiu o Bosque Rodrigues Alves. Entretanto, diferentemente dos jardins europeus, o bosque buscou preservar características da vegetação amazônica, tornando-se um importante espaço de conservação da biodiversidade regional.

Ao analisar uma fotografia do local, o estudante pode identificar elementos que evidenciam essa preocupação, como árvores de grande porte, lagos, trilhas, plantas nativas e áreas destinadas à preservação da fauna.

Meio ambiente e conservação

O Bosque Rodrigues Alves abriga centenas de espécies vegetais e diversos animais típicos da Amazônia, como aves, macacos, quelônios e répteis. Esse espaço funciona como um laboratório vivo para pesquisas científicas e atividades de educação ambiental.

Em um cenário de crescimento urbano, áreas verdes como essa ajudam a:

  • reduzir a temperatura da cidade;
  • melhorar a qualidade do ar;
  • proteger espécies da fauna e da flora;
  • conservar recursos naturais;
  • oferecer espaços de lazer e educação para a população.

A fotografia do bosque permite compreender como a preservação ambiental pode coexistir com o desenvolvimento urbano quando há planejamento e políticas públicas voltadas à sustentabilidade.

A leitura histórica da fotografia

As fotografias são importantes fontes históricas. Elas registram paisagens, costumes, construções e transformações ocorridas ao longo do tempo.

Ao analisar uma imagem do Bosque Rodrigues Alves, o historiador pode levantar diversas questões:

  • Como era Belém na época da criação do bosque?
  • Quais interesses políticos e econômicos motivaram sua construção?
  • Que mudanças ocorreram na paisagem ao longo dos anos?
  • Como a população utiliza esse espaço atualmente?
  • Qual a importância da preservação desse patrimônio para as futuras gerações?

Essas perguntas mostram que uma fotografia não representa apenas um instante, mas pode revelar aspectos históricos, sociais, econômicos e ambientais de uma determinada época.

Patrimônio cultural e identidade

Além de sua importância ecológica, o Bosque Rodrigues Alves faz parte da identidade cultural de Belém. Ao longo de mais de um século, o local tornou-se espaço de convivência, turismo, educação e contato com a natureza.

Preservar esse patrimônio significa manter viva parte da história da cidade e da Amazônia, permitindo que novas gerações conheçam a riqueza natural e cultural da região.

Conclusão

A análise da fotografia do Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves demonstra como a História dialoga com outras áreas do conhecimento, como a Geografia, a Biologia e a Educação Ambiental. O bosque representa um exemplo de patrimônio histórico e ambiental que evidencia a relação entre sociedade e natureza ao longo do tempo.

Ao estudar esse espaço, os estudantes compreendem que preservar áreas verdes urbanas não é apenas proteger árvores e animais, mas também conservar a memória histórica, a identidade cultural e a qualidade de vida das populações.


A criação do SPHAN na Era Vargas

Em 1930 uma revolução levou Getúlio Vargas ao poder. O grupo liderado por Vargas defendia a reforma da política e de vários aspectos da sociedade brasileira. A república dos coronéis estava chegando ao fim.


Para suprimir o poder dos mandões  locais, Vargas apostou num Estado forte, centralizado e autoritário. Nesse sentido, o presidente do Brasil contou com o apoio de diversos intelectuais, artistas e homens de letras os quais tornaram-se membros do governo, atuando junto aos ministérios ou como técnicos de órgãos estatais.

O Estado sob Getúlio Vargas pretendia construir uma identidade nacional integradora, capaz de unir as elites e as classes populares, a "brasilidade", diferente do período da "República Velha", onde predominavam os regionalismos desagregadores. Além disso, a miscigenação do povo e o clima tropical brasileiro, outrora apontados como aspectos negativos e indicadores do atraso nacional, deveriam ser valorizados como elementos da identidade nacional.

Em 1937, o governo Vargas criou o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). O órgão foi idealizado por intelectuais modernistas, como Mário de Andrade e Rodrigo Mello Franco de Andrade.

O SPHAN deveria atuar no tombamento e preservação dos grandes monumentos arquitetônicos e também no patrimônio imaterial, legado pela tradição oral das classes populares.

Um exemplo do esforço do SPHAN materializou-se na criação do Museu Imperial em Petrópolis-RJ, em 1940. O Museu, antiga casa de veraneio da família imperial nos tempos da Monarquia reúne artefatos como o cetro, o trono e a coroa de D. Pedro II preservando a memória do Império.

O presidente Getúlio Vargas apoiou a iniciativa e tirou proveito dela associando sua imagem a d. Pedro II, enquanto  estadistas que garantem unidade e estabilidade política.

Mas, em última,  instância a cultura na Era Vargas servia ao propósito do Novo Regime e a uma tentativa de legitimação do poder. A difusão da cultura e do nacionalismo via propaganda almejavam obter o apoio social a um governo autoritário e centralizador.

Atividades/Avaliação

1. O que o projeto governamental tem em vista é poupar à Nação o prejuízo irreparável do perecimento e da evasão do que há de mais precioso no seu patrimônio. Grande parte das obras de arte até mais valiosas e dos bens de maior interesse histórico, de que a coletividade brasileira era depositária, têm desaparecido ou se arruinado irremediavelmente. As obras de arte típicas e as relíquias da história de cada país não constituem o seu patrimônio privado, e sim um patrimônio comum de todos os povos.

ANDRADE, R. M. F. Defesa do patrimônio artístico e histórico. O Jornal, 30 out. 1936. In: ALVES FILHO, I. Brasil, 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad, 1999 (adaptado).

A criação no Brasil do Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN), em 1937, foi orientada por ideias como as descritas no texto, que visavam

A) submeter a memória e o patrimônio nacional ao controle dos órgãos públicos, de acordo com a tendência autoritária do Estado Novo.
B) transferir para a iniciativa privada a responsabilidade de preservação do patrimônio nacional, por meio de leis de incentivo fiscal.
C) definir os fatos e personagens históricos a serem cultuados pela sociedade brasileira, de acordo com o interesse público.
D) resguardar da destruição as obras representativas da cultura nacional, por meio de políticas públicas preservacionistas.
E) determinar as responsabilidades pela destruição do patrimônio nacional, de acordo com a legislação brasileira.

2. A criação do Museu Imperial em 1940, sob a tutela do governo de Getúlio Vargas, não foi um acidente. No momento de sua inauguração, em 1943, o museu teve seu valor consagrado pelo público e por um interesse político que visava ao
fortalecimento de determinado conceito de nação. No Museu Imperial, a questão da pátria não aparece vinculada a batalhas, delimitações de fronteiras, mas sim ao pulso forte, íntegro e centralizador de um chefe de Estado que "soube cumprir bem alto a sua missão no serviço da pátria".

SANTOS. Miriam Sepúlveda dos. Museu imperial: a construção do Império pela República. IN: ABREU. Regina & CHAGAS. Mário (orgs.). Memória e Patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: Lamparina. 2009. pp.130-131. (Adaptado)

As narrativas históricas reconstroem o passado de diversas maneiras, cabendo aos museus uma singularidade fundamental, a saber, a de constituir "provas" materiais dessas histórias.

A partir dessas considerações, a criação do Museu Imperial representava

A) uma tentativa de Vargas de se aproximar da memória de D. Pedro II, tido como grande estadista e amigo do povo, favorecendo a legitimação do Estado Novo.
B) um resgate de Vargas das tradições hierárquicas da aristocracia, na tentativa de construir um passado político honroso, fundado a partir de raízes europeias.
C) uma estratégia de reaproximação de Vargas com a elite paulista, por meio do resgate da memória da atuação política dessa elite junto ao Imperador no século XIX.
D) um incentivo de Vargas para que a população se aproximasse do universo da política, fortalecendo as práticas de cidadania e de exercício da democracia. 

História do Brasil: da redemocratização aos dias atuais

No início dos anos 1980 o Brasil viveu o fim do regime militar e um processo de abertura política chamado de redemocratização. No governo do General Geisel (1974-1979) o "milagre econômico" deu sinal de esgotamento e a crise econômica atingiu o governo,  parlamentares da oposição conquistaram a maioria no Congresso e a morte do jornalista Vladimir Herzog, preso pelos militares, provocou comoção nacional. Geisel revogou o AI-5 e seu sucessor, o general Figueiredo, deu continuidade à abertura política. 

Gradativamente, as garantias individuais foram restabelecidas e, após vinte e um anos, um presidente civil foi eleito indiretamente por um colégio eleitoral.

O processo de abertura política foi gradual, pois os militares desejavam controlar a transição democrática e impedir que grupos radicais chegassem ao poder.

Dentre as principais medidas do processo de redemocratização podemos citar:

. O fim da censura prévia aos espetáculos e publicações;
. A revogação do Ato Institucional 5 (AI-5);
. O retorno do Pluripartidatismo;
. Aprovação da Lei da Anistia. 

Como a transição de regime deveria ser lenta e segura, o país conviveu com avanços e retrocessos. A aprovação da Lei de Anistia, por exemplo, permitiu que os exilados retornassem ao país, mas perdoou os crimes cometidos pelos agentes da ditadura e dos militantes da resistência armada. 

As lideranças políticas,  artistas, intelectuais e milhares de pessoas reivindicaram o voto direto para presidente, o movimento ficou conhecido como Diretas Já

O deputado federal Dante Oliveira propôs uma emenda à Constituição para garantir eleições diretas em 1985, mas a medida não teve votos suficientes para ser aprovada.

A eleição coube ao Colégio Eleitoral e a disputa foi entre dois candidatos: Paulo Maluf, da posição, e Tancredo Neves, da oposição. Tancredo Neves foi o vitorioso, mas faleceu antes de sua posse em 21 de abril de 1985. José Sarney, vice-presidente, assumiu a presidência pondo fim ao regime militar.

Em 1986 foram realizadas eleições para governadores, deputados e senadores. Os deputados e senadores eleitos formaram a Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de elaborar a Constituição. 


Em 1988, a Constituição Cidadã foi promulgada com intensa participação dos movimentos sociais a fim de assegurar direitos, consolidar a cidadania e a democracia no Brasil. 

Nova República 

Período de nossa história que começa em 1985 e se estende até os dias atuais. Os presidentes que governaram a república foram:

. José Sarney (1985-1990);



. Fernando Collor de Mello (1990-1992);



. Itamar Franco (1992-1995);



. Fernando Henrique Cardoso (1995-2003);



. Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011);



. Dilma Roussef (2011-2016);



. Michel Temer (2016-2019);



. Jair Bolsonaro (2019-2022);



. Luiz Inácio Lula da Silva (2023-);

15 julho 2026

Conflitos e revoltas na Primeira República

 A Guerra de Canudos (1896-1897)


. Ocorreu no interior da Bahia.
. Trata-se de um movimento messiânico. Um líder religioso - Antônio Conselheiro - guiava milhares de sertanejos pobres.


. Os  coronéis, proprietários de terras, exploravam o trabalho dos camponeses, os quais viviam miseravelmente.
. Sob a liderança de Conselheiro os sertanejos fundaram o arraial de Belo Monte. Milhares se estabeleceram no local, apesar da seca e das difíceis condições geográficas.


. A elite da Bahia ficou incomodada com o crescimento do arraial de Canudos. Os jornais associavam Canudos à monarquia, portanto,  contra a República.

. O exército destruiu o lugar após 4 expedições militares. Milhares foram mortos.





. Euclides da Cunha registrou o conflito na obra Os sertões, publicada em 1902.



A Guerra do Contestado (1912-1916)

. Esse conflito ocorreu em uma região disputada por dois estados, Santa Catarina e Paraná. 


. Também é considerada um movimento messiânico. Seus líderes foram os monges José Maria e, depois, João Maria. 


. Empresas estrangeiras interessadas na construção da ferrovia São Paulo-Porto Alegre provocaram a expulsão de camponeses que viviam na região do Contestado. 
. José Maria liderou a formação de diversos povoados, chamados de "Monarquia Celeste",  reunindo milhares de sertanejos. 


. Assim como ocorreu em Canudos, as tropas do governo massacraram os camponeses. 



Cangaço (1870-1940)

. Ocorreu por aproximadamente setenta anos no sertão do Nordeste. 
. Caracterizava-se pela ação de bandos armados, os quais assaltavam armazéns, fazendas e cometiam diversos outros crimes.
. Os cangaceiros escondiam-se nos sertões, em regiões que dificultavam sua captura pelas forças policiais.
. O grupo mais famoso foi liderado por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. 


. Devido às péssimas condições de vida e a falta de perspectiva, muitos homens optavam pelo cangaço.

. Lampião e a maior parte de seu bando foram mortos pela polícia no Sergipe, em 1938. O governo procurou usar este fato como exemplo para desestimular o surgimento de novos bandos armados. 


Revolta da Vacina 

. Ocorreu em 1904 no Rio de Janeiro, cidade que era a capital da República. A cidade passava por um processo de modernização com a derrubada de cortiços, expulsão dos pobres das áreas centrais e combate às doenças, como a peste, febre amarela e varíola. 
. O diretor de Saúde Pública, o médico Oswaldo Cruz, propôs a vacinação obrigatória.

A medida ocorreu sem o consentimento da população e sem uma campanha informativa.
. A população se revoltou, virando bondes e atirando paus e pedras contra as forças policiais.


Um grupo que fazia oposição ao governo tentou tirar proveito da situação para tomar o poder, mas a iniciativa fracassou. Houve forte repressão das tropas do governo,  dezenas morreram no conflito, muitos foram feridos, presos e deportados. A lei que exigia a vacinação obrigatória foi suspensa e a situação, enfim, pacificada.

Revolta da Chibata

. Em novembro de 1910, centenas de marujos se rebelaram e tomaram quatro navios de guerra, entre eles os encouraçados São Paulo e Minas Gerais.
. Os marinheiros exigiam o fim dos castigos físicos que eram aplicados aos acusados de indisciplina. Entre as reivindicações também estavam a melhoria da alimentação e aumento do salário. 


. Oficiais foram presos e mortos pelos rebeldes e tiros foram disparados contra a capital - Rio de Janeiro. 
. O marinheiro João Cândido, apelidado de Almirante Negro, era o líder do motim. 
. No dia 26 de novembro os marujos concordaram em depor armas, após a aprovação da anistia por terem tomado os navios. 

Os castigos físicos foram, enfim, abolidos. Contudo, o presidente da República Marechal Hermes da Fonseca baixou uma norma autorizando a Marinha a demitir os marinheiros indisciplindos.

. No dia 9 de dezembro de 1910, houve nova revolta dos marinheiros, os quais tomaram instalações da Marinha na Ilha das Cobras, que foi bombardeada pelo governo. 
. No Congresso Nacional foi aprovado o estado de sítio, seguiu-se a prisão de centenas de marinheiros, alguns morreram na prisão outros foram executados ou deportados para o Acre. João Cândido foi preso, internado e expulso da Marinha. Morreu na pobreza, em 1969.


. Aqueles que tentaram resgatar e publicar a história da Revolta foram censurados durante o Estado Novo (1937-1945) e na Ditadura Militar (1964-1985). Só na década de 1980 que a Revolta da Chibata começou a aparecer nos livros didáticos.

[Plano de Aula Completo] sobre a Semana de Arte Moderna (1922)

 A Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, no ano de 1922, foi um movimento que abarcou diversos artistas e intelectuais. A ideia era promover a renovação no campo das artes e trazer novo fôlego ao cenário cultural brasileiro. 


Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro daquele ano, no Teatro Municipal de São Paulo, houve exposições de arte, consertos musicais, palestras e apresentações poéticas sob a organização de nomes, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Di Cavalcanti, apoiados por Graça Aranha. Um dos principais patrocinadores desse movimento foi Paulo Prado, membro da elite cafeicultora paulista.

Alguns artistas modernistas reunidos.

Os modernistas propunham a superação dos cânones tradicionais nas artes, como o Realismo e o academicismo, os quais predominavam em centros como a Escola Nacional de Belas Artes e a Academia Brasileira de Letras. A influência das novas tendências da vanguarda europeia, como o cubismo, o dadaísmo e o futurismo deveriam ser deglutidas pelos artistas brasileiros e transformadas em produções originais valorizando a cultura popular e as questões nacionais.

Essa ideia foi expressa na pintura de Tarsila do Amaral, "Abaporu", de 1928. Nessa obra Tarsila fugiu do realismo e adotou cores e temas brasileiros, destacando, por exemplo, a flora existente em parte do país - o cacto, comum no interior do Nordeste. 


Na literatura, a publicação de Pauliceia desvairada, em 1922, de Mário de Andrade exerceu forte influência sobre os poetas brasileiros. 

Inicialmente, o impacto provocado pelos modernistas foi tímido, mas as repercussões do evento foram muito além daquela semana, marcando toda uma geração e influenciando novos autores, artistas e pensadores da realidade do país. 

As revistas como a Klaxon, Revista do Brasil, Verde, Antropofagia etc contribuíram para a circulação das novas ideias e tendências, ampliando o alcance e a influência do movimento Modernista. 


Os críticos e estudiosos do período dividem o Modernismo em duas fases, a saber: Estética (1922-1924) e Política (1924-1928). A primeira fase buscava a inovação artística inspirada nos movimentos de vanguarda da Europa. A fase política marcou a confluência entre o nacionalismo com o Modernismo.

Após 1928, os artistas do Modernismo tomaram rumos distintos, com grupos divididos devido às diferentes concepções estéticas e ideológicas. O grupo da "antropofagia" de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, por exemplo, tinha uma tendência mais à esquerda, aproximando-se das ideias socialistas. Já Menotti Del Picchia e o jornalista Plínio Salgado, do grupo "verde-amarelismo", defendiam valores da direita política. 

O movimento, como se pode perceber, foi heterogêneo tanto do ponto de vista estético quanto ideológico. Mas os artistas e intelectuais modernos convergiam a respeito da necessidade de renovar a arte brasileira. Era preciso conciliar os movimentos de vanguarda com as tradições e a cultura popular. A arte deveria ser a expressão da identidade nacional e não apenas um valor das elites e da oligarquia, alheia à realidade social e cultural do país.

ATIVIDADES

1. Você é o artista! Pinte o quadro "Abaporu" de Tarsila do Amaral ou faça uma releitura da obra, através da produção de um novo desenho.




2. Cruzadinha: Semana de Arte Moderna (1922)
Clique aqui.

PESQUISA 

1. Pesquise na Internet dados biográficos de Tarsila do Amaral e também sobre seu trabalho artístico. 
Depois escreva um texto destacando aspectos importantes de sua vida, seus principais trabalhos e as características de sua obra.


AVALIAÇÃO (Questões do ENEM e do PISM/UFJF)

1. ENEM, 2012.

O trovador

Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras…
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal…
Intermitentemente…
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo…
Cantabona! Cantabona!
Dlorom…
Sou um tupi tangendo um alaúde!

ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.

Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é

a) abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carnaval, remete à brasilidade.
b) verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.
c) lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).
d) problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
e) exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.

2. (ENEM, 2010) Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti e outros modernistas

a) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a originalidade e os temas nacionais.
b) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a criação artística nacional.
c) representavam a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa.
d) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada à tradição acadêmica.
e) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados.

3. (PISM, 2020) Sobre a Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo em 1922, é CORRETO afirmar:

a) Foi um movimento que criticava a influência estrangeira na cultura brasileira, rejeitando o “colonialismo mental”, defendendo a cultura nacional.
b) O movimento foi exclusividade dos poetas homens, excluindo o talento das escritoras mulheres consideradas muito radicais, uma vez que defendiam o fim do conservadorismo.
c) O movimento ocorreu por ocasião do centenário da independência do Brasil, com o objetivo de reforçar o espírito conservador do país e valorizar a cultura estrangeira moderna e suas inovações.
d) O movimento atingiu todo o Brasil e todas as classes sociais, se mostrando extremamente democrático, rompendo com a desigualdade de classes.
e) Foi um movimento conservador que redescobriu a identidade brasileira como não miscigenada, de tradição rural-agrária, recusando o desenvolvimento cosmopolita.


4. ENEM, 2010.

(Tarsila do Amaral. “O mamoeiro”, 1925. Óleo s/ tela; 65 x 70 cm. IEB-USP.)


O modernismo brasileiro teve forte influência das vanguardas europeias. A partir da Semana de Arte Moderna, esses conceitos passaram a fazer parte da arte brasileira definitivamente. Tomando como referência o quadro “O mamoeiro”, identifica-se que, nas artes plásticas, a

a) imagem passa a valer mais que as formas vanguardistas.
b) forma estética ganha linhas retas e valoriza o cotidiano.
c) natureza passa a ser admirada como um espaço utópico.
d) imagem privilegia uma ação moderna e industrializada.
e) forma apresenta contornos e detalhes humanos.

5. (PISM.UFJF) Leia os trechos abaixo: 

Trecho I 

“Desde pelo menos a conferência de Mário de Andrade, “O Movimento Modernista”, de 1942, a Semana de Arte Moderna, de fevereiro de 1922, tem sido considerada o marco inaugural do modernismo. Em 1922, já estavam firmadas as duas preocupações centrais do movimento em sua primeira fase (1917-1924). A primeira tinha a ver com a necessidade de atualizar a produção artística feita no país a um novo tempo, o que justificava a polêmica com os chamados “passadistas”. A segunda dizia respeito ao ingresso do país no concerto das nações cultas, isto é, no universo moderno. [...]”. 

Fonte: JARDIM, Eduardo. Apontamentos sobre o modernismo. In: Estudos Avançados, 36 (104), 2022). 

Trecho II 

“ [...] os dois extremos do caráter modernista, o internacionalista, procedente do contato com a Europa e em particular com Paris, e a pressão da realidade local, a chamar o artista para o seu espaço, tradições e contradições, através do pluralismo cultural de um país como o Brasil, fariam com que surgisse, a partir do modernismo, segundo a pesquisadora Telê Ancona Lopez, uma nova perspectiva de atuação, a propor um duplo caminho: a) romper com a arte de importação; b) pesquisar o popular. Ou seja, através do dado popular, restaurar a dignidade da língua e das manifestações populares a influir na literatura. [...]” 

Fonte: AMARAL, Aracy. O modernismo brasileiro e o contexto cultural dos anos 20. In: Revista USP. São Paulo, n. 94, 2012, p. 18. 

Sobre o movimento modernista, oficialmente inaugurado com a Semana de Arte Moderna de 1922:

A) Cite UMA crítica do movimento modernista às expressões de arte desenvolvidas no Brasil dos anos 1920.

B) Explique UMA característica do movimento modernista, levando em consideração o contexto sociocultural do Brasil naquele momento.

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