Aula para o 1º ano do Ensino Médio - SEEDUC-RJ
Objeto do conhecimento: As bases históricas presentes nos discursos políticos e sociais e o processo de crítica e revisão na organização da sociedade contemporânea.
Aula para o 1º ano do Ensino Médio - SEEDUC-RJ
Objeto do conhecimento: As bases históricas presentes nos discursos políticos e sociais e o processo de crítica e revisão na organização da sociedade contemporânea.
Conteúdo para aula de História - 2º ano do Ensino Médio, SEEDUC-RJ.
Formação dos Estados Nacionais Europeus
A emergência das crises do século XIV, como a peste negra, as guerras e as revoltas nos campos fortaleceram os processos de centralização política em curso na Europa desde a Baixa Idade Média.
Portugal foi pioneiro em consolidar um Estado centralizado com a dinastia de Avis, em 1385. O exemplo português foi seguido pela formação de outros reinos, como a Espanha, França e Inglaterra.
De modo geral, estes reinos tinham como forma de governo a Monarquia, cujo poder estava centralizado nas mãos dos reis. Surgiram moedas nacionais, pesos e medidas foram padronizados, a justiça e o exército ficavam sob o controle real e uma burocracia foi criada para cuidar da administração e dos negócios do Estado.
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| Na Monarquia a transmissão de poder é hereditária, isto é, o trono passa do pai para o filho. Henrique VIII, da Inglaterra, e sua família. |
A sociedade era rigidamente hierarquizada, com uma nobreza de origem feudal que acumulava privilégios junto ao rei.
A corte do rei era composta pelo alto clero, que apoiavam e defendiam a tese de que o monarca era o escolhido de Deus para governar. Os Reis tinham um poder tão grande que sua autoridade era quase absoluta (Monarquia absolutista).
A burguesia, formada por industriais, banqueiros e mercadores, tinha que arcar com pesadas taxas para sustentar o Estado. A vida também não era fácil para os camponeses, sujeito a diversos abusos cometidos pelos proprietários de terras.
. Revoluções burguesas
Na Inglaterra, o Absolutismo enfrentou forte resistência. O rei Carlos I, da dinastia Stuart, tentou criar impostos sem aprovação do Parlamento, desagradando os nobres. Entre os camponeses e os burgueses também havia descontentamento com a autoridade real. Os conflitos e as tensões sociais eram agravadas pelo conflito religioso, a doutrina puritana era popular na Inglaterra, mas contrariava o Anglicanismo a religião oficial do país.
Em 1642, eclodiu uma Guerra Civil no país - de um lado o exército popular organizado pelo Parlamento, liderado pelo puritano Oliver Crowell; do outro lado o exército do Rei. O conflito estendeu-se até 1649 com a derrota do rei, o qual foi executado, e a Monarquia foi abolida sendo substituída pela república.
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| Execução do rei Carlos I, na Inglaterra. |
Cromwell tornou-se o governante, lorde protetor, permanecendo no poder até 1658, quando faleceu. No governo de Cromwell foram aprovadas medidas importantes, como os Atos de Navegação (1651) que estabelecia que o transporte de mercadorias para o comércio marítimo só poderia ser feito por embarcações inglesas, o que irá alavancar a economia do país.
O Parlamento restaurou a Monarquia e Carlos II, Stuart, foi coroado em 1660. Ele foi sucedido por Jaime II, em 1685, ambos tinham tendência absolutistas o que desagradava ao Parlamento.
Os parlamentares reagiram convocando Guilherme de Orange, oferecendo-lhe o trono inglês exigindo, em troca, a liberdade do Parlamento. Em 1688, Guilherme III foi coroado e o Parlamento promulgou a Declaração de Direitos (Bill of Rights), que estabelecia a Monarquia constitucional - era o fim do Absolutismo.
As reformas políticas possibilitaram o desenvolvimento comercial e manufatureiro inglês abrindo caminho para a Revolução Industrial do século XVIII.
Revolução Francesa
Na França, o povo também derrubou a Monarquia. Inspirados pelos ideias iluministas de igualdade e liberdade a burguesia queria o fim do Absolutismo e da sociedade estamental.
O rei Luís XVI foi executado em 1793 e foi proclamada a República.
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| O julgamento do rei Luís XVI. |
O governo republicano estabeleceu diversos direitos, como a igualdade perante a lei, o voto universal masculino, aboliu a escravidão nas colônias francesas entre outros.
As revoluções burguesas transformaram o Mundo Ocidental, modificando a ordem política e social. O Absolutismo perdeu espaço para regimes constitucionais, parte da população conquistou direitos políticos, como o direito ao voto. No plano econômico, a burguesia consolidou-se como grupo dominante em virtude do aumento das atividades comerciais e da Revolução Industrial.
Desde a chegada dos portugueses no Brasil, em 22 de abril de 1500, houve um estranhamento em relação aos hábitos e costumes dos nativos. Tal surpresa em relação às diferenças e à cultura do outro fica bastante evidente na documentação produzida no período colonial.
Vejamos alguns exemplos:
"A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador.
[...]
Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios, que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos".
(Trecho da carta de achamento do Brasil, Pero de Vaz de Caminha, 1500).
"A língua deste gentio toda pela costa é, uma: carece de três letras – scilicet, não se acha nela F, nem L, nem R, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira vivem sem Justiça e desordenadamente".
(Relato de Pero de Magalhães Gandavo, 1576).
Nos registros acima ficam evidentes alguns pontos importantes, como a valorização da cultura europeia e a inferiorização da cultura dos povos indígenas, refletindo a visão eurocêntrica de suposta superioridade.
Note que não há preocupação, por parte dos cronistas europeus, em compreender o modo de vida e a cultura dos povos nativos. Esses registros vão servir para construir uma visão estereotipada do índio como um ser selvagem, que precisa ser catequizado, colonizado e submetido ao trabalho escravo.

Tal processo de colonização, como sabemos, resultou na destruição do modo de vida do povo indígena e no extermínio de milhares de índios, os quais eram vítimas das doenças, dos maus tratos recebidos e das "guerras justas" travadas pelos colonizadores.

Atualmente
Nos dias atuais as diferenças étnicas ainda provocam conflitos e violência, como ocorreu no passado. Observe nos exemplos a seguir:
"O índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, 45, teve 95% do corpo queimado depois de ter sido incendiado anteontem em Brasília.Um grupo de cinco estudantes jogou sobre ele uma substância líquida, provavelmente álcool. Os jovens teriam, então, ateado fogo. Segundo os médicos, Santos não tem chance de sobreviver.Os estudantes confessaram a seu advogado ter jogado ``algo'' sobre Santos, mas negam que tenham ateado fogo na sequência.O crime aconteceu em um ponto de ônibus, quando Santos dormia em um banco, depois de uma comemoração do Dia do Índio, na sede da Funai".
(Notícia de 21 de abril de 1997. Folha de São Paulo on-line).
No primeiro um grupo de jovens ateou fogo num índio, o qual morreu devido às queimaduras. Agora analisaremos outro caso:
"Uma menina de 11 anos foi ferida por uma pedra na cabeça ao deixar um culto de candomblé na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, a menina foi atacada por evangélicos e foi vítima de intolerância religiosa. Com a pedrada, a jovem chegou a desmaiar e perder momentaneamente a memóriaOs autores da pedrada, que seriam dois homens, conseguiram fugir. Pouco antes da agressão, eles teriam xingado e provocado os adeptos do candomblé que estavam com a menina".
(Notícia on-line, 16 mai. 2015. uol.com).
No último exemplo temos o registro da intolerância religiosa persistente e do fanatismo, que leva extremistas a agredirem uma criança que pratica o candomblé, uma religião afro-brasileira, com raízes históricas coloniais do passado escravocrata do país.
Em suma, as tensões e os conflitos entre os diferentes grupos étnicos que compõem a sociedade brasileira persistem desde os tempos coloniais. Cabe a cada indivíduo e ao poder público a iniciativa para adotar medidas que favoreçam o bom convívio entre os diferentes, pautado na inclusão, no respeito, tolerância e na igualdade de oportunidades para todos.
Conflitos étnicos no contexto das duas Guerras Mundiais

A Armênia fica na Ásia Menor, situada entre três continentes - Europa, Ásia e África - e foi, ao longo da História, governada por persas, gregos, romanos, bizantinos entre outros povos. Apesar do domínio estrangeiro na região, os armênios conseguiam preservar sua identidade cultural e religiosa. Desde a Antiguidade eles tinham adotado o cristianismo.
A Armênia era parte do Império Turco Otomano, cuja ideia era expandir sua influência para o Leste e unificar os povos sob seu domínio, porém, os armênios representavam um obstáculo para os turcos mais radicais. Devido à intolerância cultural e religiosa, os turcos começaram a perseguir e exterminar os armênios. Estima-se que entre 1915 a 1923 mais de 1,5 milhão de armênios tenham sido mortos pelos nacionalistas turcos. Outros milhares foram obrigados a deixar a sua terra natal, os que sobreviveram ao horror eram obrigados adotar o islamismo.

Até hoje o governo da Turquia não reconhece o genocídio armênio, porém a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Parlamento europeu reconhecem o genocídio, assim como o fez Senado Brasileiro, em 2015.
Em 1935, os nazistas aprovaram "Leis raciais" proibindo o casamento entre os alemães com raças consideradas inferiores, como os judeus.



Em 1948, a Resolução 181 da Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) aprovou um documento que previa a divisão da Palestina, no Oriente Médio, para criar dois Estados, um para os árabes e um para os judeus (Israel).
Muitos judeus dirigiram-se para a Palestina, num retorno histórico ao lar onde esperavam viver em paz depois do horror do Holocausto provocado pelos nazistas.

Ocorre que a criação do Estado de Israel e a chegada dos judeus na região tornou-se um problema para os povos palestinos e os países árabes. Desde então, os dois povos têm travado conflitos e guerras sistemáticas por disputas de terras e definição de limites e fronteiras resultando em uma catástrofe humanitária que parece não ter fim.
Em 1967, por exemplo, ocorreu a Guerra dos Seis dias quando Israel derrotou uma aliança árabe (Egito, Jordânia e Síria). Após o conflito, o Estado judeu passou a ocupar 75% do território que seria destinado à criação do Estado palestino. Parte dessas terras foram devolvidas, após 1982, parte permanece ocupada até os dias atuais sendo motivo de disputa.

Como Israel têm aliados poderosos, como os EUA, o país conseguiu fortalecer suas defesas e seu exército. Os palestinos, embora também tenham aliados, detém menos recursos bélicos e suas capacidades militares são reduzidas. De modo que as respostas israelenses aos ataques palestinos são desproporcionais, na visão de alguns analistas.

A desproporcionalidade entre as forças faz com que Israel avance sobre os territórios palestinos e incentive a formação de assentamentos e colônias, fomentando ainda mais a rivalidade e a violência entre os dois povos.

Você já sentou para estudar ou trabalhar e, poucos minutos depois, percebeu que estava olhando o celular, respondendo mensagens, navegando p...