15 julho 2026

Cultura de massa

O que é cultura de massa?


É aquela veiculada pelos meios de comunicação de massa como rádio, televisão, jornais e revistas de grande circulação e, mais recentemente, pela internet. De acordo com os críticos da indústria cultural, sobre seu impacto no conjunto da sociedade, ela impõe padrões culturais com vistas à homogeneização de hábitos e gostos culturais consumistas articulados com a mercadorização no campo cultural. Suas metas são as vendas e o lucro e, não, o consumo cultural inerente ao processo de formação e desenvolvimento humanos" (Glossário de Cultura. Capturado no site Desenvolvimento e questão social).

O termo indústria cultural foi elaborado em meados do século XX pelos sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer para designar a produção de uma cultura padronizada a ser consumida pelo público massificado. 

Horkheimer e Adorno autores do livro Dialética do esclarecimento (1947).

Os intelectuais criticavam a transformação das obras de arte em produtos padronizados, os quais visavam apenas gerar lucro para a Indústria e manipular a população. O nazifascismo que surgiu na Europa nos anos 1920-1930, por exemplo, explorava o rádio e o cinema para divulgar, para um público cada vez maior, suas produções culturais com a finalidade de doutrinar as massas.

Se as novas tecnologias ajudaram a aumentar a produção e levá-las para muitas pessoas, por outro lado, as peças culturais padronizadas perderam em capacidade de estimular reflexões no público, visto que propõe ideias preconcebidas segundo os interesses das elites dominantes e do mercado.

Atualmente, o termo indústria cultural é aplicado às grandes corporações voltadas à produção musical, cinematográfica etc. Aplicando a lógica capitalista, as corporações buscam produzir algo para agradar  o maior número de pessoas possíveis. Na música, por exemplo, se um estilo musical fez sucesso, rapidamente surgem vários cantores do mesmo estilo e com canções muito semelhantes. O estilo se torna popular e o consumo aumenta. 

A indústria cultural estimula, entre as massas, o consumismo, veiculando, de forma sutil, o modo de vida das elites, as quais prezam pela manutenção de suas riquezas e do próprio sistema capitalista.

Com a padronização e simplificação dos bens culturais, os quais não estimulam a reflexão e a crítica, as massas tornam-se cada vez mais alienadas e alheias aos problemas e às injustiças sociais de sua realidade. 




A Escola de Frankfurt

O conceito de indústria cultural nasceu na Escola de Frankfurt, fundada nos anos 1920, onde Adorno e Horkheimer lideraram um grupo de estudiosos para estudar teoria social e filosofia. 
A escola de Frankfurt, na Alemanha. 


Esse grupo baseava-se nas ideias de Karl Marx, mas foram além delas ao buscar uma alternativa ao capitalismo e ao socialismo. Acreditavam na possibilidade do desenvolvimento de uma sociedade mais justa, sem a dominação da população, como ocorrerá com o nazismo na Alemanha e o socialismo na União Soviética.

Os pesquisadores também criticaram a crença de progresso contínuo, derivado do Iluminismo do século XVIII. Esta concepção acreditava que a razão e o constante aprimoramento tecnológico contribuiriam para o desenvolvimento da humanidade. Contudo, os novos processos e técnicas derivados da razão serviam a outros interesses distanciando-se da ideia de emancipação do ser humano.

Indústria cultural no Brasil

No Brasil a indústria cultural  desenvolveu-se principalmente através dos meios de comunicação: o rádio, a televisão e a Internet.

Os governos sempre tiveram interesse em divulgar ideais específicos por meio dos produtos culturais e de entendimento das multidões. 

O rádio foi amplamente explorado, nos anos 1930, pelo governo Vargas para promover o nacionalismo e o culto a liderança do presidente. Além de veicular a ideologia política, o rádio transmitia anúncios publicitários, de onde vinham suas receitas.

A televisão começou a se popularizar entre os lares brasileiros nos anos 1970 e, até os dias de hoje, é um dos meios de comunicação mais importantes do país. As redes de televisão cresceram com ajuda do Regime Militar (1964-1985) exibindo programas com uma imagem positiva da ditadura. As telenovelas eram sucesso, exaltando o modo de vida da elite e evitando a abordagem dos problemas sociais e o autoritarismo político. 

Nos anos 2000, a Internet surgiu como alternativa mais democrática de meio de comunicação ao permitir a expressão das vozes de outros atores sociais.

Exemplos de indústria cultural

As telenovelas e os serviços de streaming, como a Netflix, são exemplos de produtos da indústria cultural muito consumidos pelas classes mais baixas. Essas programações disseminam valores e procuram padronizar comportamento, incentivam o consumismo e a homogeneidade cultural. O indivíduo vê no entretenimento uma fuga da realidade, marcada pela violência e profunda desigualdade social. 

A cultura de massas favorece a integração entre as classes sociais mascarando as diferenças é conflitos existentes entre elas.

A música também reforça determinados valores e estereótipos. Além das canções que vem dos EUA, no Brasil o estilo sertanejo, funk e pagode estão entre os gêneros mais populares e consumidos.
Cantores do gênero sertanejo universitário apresentam músicas semelhantes que não estimulam o pensamento crítico sobre a realidade política e social do país. 


Desde os anos 1990, com o fim da URSS e a vitória do Capitalismo e a intensificação do fenômeno da Globalização, os EUA têm exercido influência sobre a Indústria Cultural. Nesse sentido, as produções incentivam o consumismo e padronizam comportamentos.

Estudar o tema e compreender a dinâmica da Indústria cultural é de suma importância para os estudantes desenvolverem consciência crítica para resistir à alienação da cultura de massa. 

Referências bibliográficas

FIA BUSINESS SCHOOL

FIOCRUZ. Indústria cultural

Memória e poder

A memória é a capacidade que possuímos de armazenar certas informações que são adquiridas através de nossas experiências e do aprendizado. A memória é essencial para a vida do indivíduo e também possui uma função social muito importante para a coletividade. A memória coletiva tem estreita relação com a identidade dos povos e nações.


Nesse sentido, é a memória coletiva que nos interessa, sob a perspectiva das Ciências Humanas e Sociais.

Se esquecimentos ou perda de memória individual podem trazer problemas para uma pessoa, a falta de memória social pode provocar graves problemas na identidade coletiva de um povo. Um dos principais modos de se preservar a memória social é através da criação de arquivos históricos, onde os documentos são armazenados. Mas sempre há riscos de se perder tais registros, seja de forma involuntária, caso de acidentes, ou de modo premeditado, com a destruição deliberada de arquivos.

O incêndio no Museu Nacional,  no Rio de Janeiro, em 2018 destruiu Grande parte do acervo e do patrimônio histórico armazenado no edifício. 


Após a Revolução Francesa, no século XVIII, multiplicou-se o uso da memória coletiva como instrumento de governo. As datas nacionais passaram a ser celebradas com festas e comemorações oficiais, apoiadas por suportes como moedas, selos de correios, placas e a inauguração de monumentos com o intuito de recordar determinados acontecimentos políticos. Tais acontecimentos podem ser uma revolução, a chegada de um novo grupo ao poder, uma vitória ao fim de uma guerra etc. A ampliação do acesso à Educação será utilizada pelo Estado para construir a identidade nacional, por meio do culto aos símbolos e heróis nacionais, do ensino da língua comum etc.

Como a memória coletiva está ligada ao poder ela está sujeita a todo tipo de manipulação segundo os interesses do grupo social dominante.  Além disso, pode haver tensão e disputa entre os diferentes grupos pelo poder e pela dominação sobre a tradição e as recordações. Um caso emblemático de manipulação da memória é a adulteração de uma imagem fotográfica pelo regime Stalinista, na União Soviética. A fotografia que destacava o líder Lênin em um discurso no ano de 1917 foi alterada a fim de apagar a memória de Leon Trotsky, o qual disputou com Stálin a sucessão ao poder.

Trotsky está à direita, na fotografia original.

Stálin venceu e, como não admitia oposição a seu governo Totalitário, procurou apagar os registros de Trotsky. 

Trotsky foi removido da imagem.

Os focos de tensão pelas disputas de memória ocorrem frequentemente. No Brasil, por exemplo, observaremos dois casos recentes de conflito em torno da memória coletiva. Ambos ocorreram em 2021. O primeiro deles foi uma iniciativa da Prefeitura de Niterói, a qual fez uma consulta pública propondo substituir o nome da rua Coronel Moreira César para Rua Ator Paulo Gustavo. Noventa por cento (90,2%) votaram a favor da mudança. Mas por que alterar o nome da via pública? 
Defensores da mudança evocam o passado de Moreira César para justificar a substituição de seu nome. O Coronel que faleceu em 1897 durante uma batalha na Guerra de Canudos, tinha um histórico violento. Assassinou um jornalista com uma facada nas costas e reprimiu com violência os rebeldes que participaram da Revolta da Armada (1891-1894). Seu apelido era "corta-cabeças". O que você preferiria: se lembrar do ator ou de um militar sanguinário? A maioria votou que prefere a memória de Paulo Gustavo à preservação de uma homenagem ao Coronel "Corta-cabeças".

O último caso ocorreu em São Paulo, trata-se de um grupo que incendiou a estátua de Borba Gato. 


Os homens foram presos e responderão por associação criminosa, incêndio entre outros. Um dos responsáveis pelo ato alegou que pretendia abrir um debate público sobre a manutenção de uma estátua que homenageia um bandeirante que escravizava negros e índios. O ato, para alguns que consideram a homenagem indevida, é um protesto. Outros, contudo, acham que a ação é um crime sujeito às penalidades da lei. A situação é delicada, pois a estátua faz parte do patrimônio público, contudo exalta a memória de alguém que ganhava a vida escravizando e dizimando indígenas. A ação dos ativistas é um protesto legítimo ou deve ser tratada como um crime?

As disputas, conflitos e tensões pela memória continuarão a ocorrer. O historiador Jacques Le Goff nos lembra o quanto é importante a democratização da memória, essa missão é de todos, principalmente dos profissionais da história, da sociologia e do jornalismo que tem atuação constante neste campo.

Para Le Goff (1990) a

"... memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens" (pág. 478).


Bibliografia

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas, SP Editora da UNICAMP, 1990. 

SILVA, K. V., SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo : Contexto, 2005.

Conflitos e revoltas na Primeira República

 A Guerra de Canudos (1896-1897)


. Ocorreu no interior da Bahia.
. Trata-se de um movimento messiânico. Um líder religioso - Antônio Conselheiro - guiava milhares de sertanejos pobres.


. Os  coronéis, proprietários de terras, exploravam o trabalho dos camponeses, os quais viviam miseravelmente.
. Sob a liderança de Conselheiro os sertanejos fundaram o arraial de Belo Monte. Milhares se estabeleceram no local, apesar da seca e das difíceis condições geográficas.


. A elite da Bahia ficou incomodada com o crescimento do arraial de Canudos. Os jornais associavam Canudos à monarquia, portanto,  contra a República.

. O exército destruiu o lugar após 4 expedições militares. Milhares foram mortos.





. Euclides da Cunha registrou o conflito na obra Os sertões, publicada em 1902.



A Guerra do Contestado (1912-1916)

. Esse conflito ocorreu em uma região disputada por dois estados, Santa Catarina e Paraná. 


. Também é considerada um movimento messiânico. Seus líderes foram os monges José Maria e, depois, João Maria. 


. Empresas estrangeiras interessadas na construção da ferrovia São Paulo-Porto Alegre provocaram a expulsão de camponeses que viviam na região do Contestado. 
. José Maria liderou a formação de diversos povoados, chamados de "Monarquia Celeste",  reunindo milhares de sertanejos. 


. Assim como ocorreu em Canudos, as tropas do governo massacraram os camponeses. 



Cangaço (1870-1940)

. Ocorreu por aproximadamente setenta anos no sertão do Nordeste. 
. Caracterizava-se pela ação de bandos armados, os quais assaltavam armazéns, fazendas e cometiam diversos outros crimes.
. Os cangaceiros escondiam-se nos sertões, em regiões que dificultavam sua captura pelas forças policiais.
. O grupo mais famoso foi liderado por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. 


. Devido às péssimas condições de vida e a falta de perspectiva, muitos homens optavam pelo cangaço.

. Lampião e a maior parte de seu bando foram mortos pela polícia no Sergipe, em 1938. O governo procurou usar este fato como exemplo para desestimular o surgimento de novos bandos armados. 


Revolta da Vacina 

. Ocorreu em 1904 no Rio de Janeiro, cidade que era a capital da República. A cidade passava por um processo de modernização com a derrubada de cortiços, expulsão dos pobres das áreas centrais e combate às doenças, como a peste, febre amarela e varíola. 
. O diretor de Saúde Pública, o médico Oswaldo Cruz, propôs a vacinação obrigatória.

A medida ocorreu sem o consentimento da população e sem uma campanha informativa.
. A população se revoltou, virando bondes e atirando paus e pedras contra as forças policiais.


Um grupo que fazia oposição ao governo tentou tirar proveito da situação para tomar o poder, mas a iniciativa fracassou. Houve forte repressão das tropas do governo,  dezenas morreram no conflito, muitos foram feridos, presos e deportados. A lei que exigia a vacinação obrigatória foi suspensa e a situação, enfim, pacificada.

Revolta da Chibata

. Em novembro de 1910, centenas de marujos se rebelaram e tomaram quatro navios de guerra, entre eles os encouraçados São Paulo e Minas Gerais.
. Os marinheiros exigiam o fim dos castigos físicos que eram aplicados aos acusados de indisciplina. Entre as reivindicações também estavam a melhoria da alimentação e aumento do salário. 


. Oficiais foram presos e mortos pelos rebeldes e tiros foram disparados contra a capital - Rio de Janeiro. 
. O marinheiro João Cândido, apelidado de Almirante Negro, era o líder do motim. 
. No dia 26 de novembro os marujos concordaram em depor armas, após a aprovação da anistia por terem tomado os navios. 

Os castigos físicos foram, enfim, abolidos. Contudo, o presidente da República Marechal Hermes da Fonseca baixou uma norma autorizando a Marinha a demitir os marinheiros indisciplindos.

. No dia 9 de dezembro de 1910, houve nova revolta dos marinheiros, os quais tomaram instalações da Marinha na Ilha das Cobras, que foi bombardeada pelo governo. 
. No Congresso Nacional foi aprovado o estado de sítio, seguiu-se a prisão de centenas de marinheiros, alguns morreram na prisão outros foram executados ou deportados para o Acre. João Cândido foi preso, internado e expulso da Marinha. Morreu na pobreza, em 1969.


. Aqueles que tentaram resgatar e publicar a história da Revolta foram censurados durante o Estado Novo (1937-1945) e na Ditadura Militar (1964-1985). Só na década de 1980 que a Revolta da Chibata começou a aparecer nos livros didáticos.

Lista de exercícios: Revolução Industrial e Revolução Francesa (Para 8º ano e 2º ano do Ensino Médio)

Atividades para o 8º ano do Ensino Fundamental - 1º bimestre (Revolução Industrial e Revolução Francesa)


1. O país pioneiro na Revolução Industrial foi________.

A) o Brasil. 
B) a Bélgica. 
C) a França. 
D) a Inglaterra. 
E) a Espanha. 

2. Observe a imagem a seguir, depois responda as questões. 


A) Qual foi o impacto ambiental provocado pela industrialização?

B) Cite e explique pelo menos três atividades econômicas dos dias atuais que trazem risco ao meio ambiente.

3. Analise a imagem a seguir, depois responda as perguntas. 


A) Que tipo de atividade econômica está sendo realizada?  E qual seria sua finalidade?

B) Descreva como eram as condições de trabalho apresentadas na ilustração. 

4. Leia o depoimento de Sarah Carpenter, que trabalhou em uma tecelagem inglesa quando tinha dez anos de idade. Depois responda as questões. 

"Nossa refeição mais comum era bolo de aveia. Era pesado e grosseiro. Esse bolo era colocado em latas. Leite fervente e água eram misturados a ele. Esse era nosso café da manhã e nossa ceia. Nosso jantar era torta de batata com bacon cozido. Chá, nunca vimos, nem manteiga.
Comíamos queijo e pão preto uma vez ao ano. Só nos permitiam três refeições por dia, apesar de trabalharmos das seis da manhã e até as nove da noite. [...] Existia um contramestre chamado William Hughes [...]. Ele veio até mim e me perguntou o que meu maquinário fazia parado.
Eu disse que não sabia porque não tinha sido eu quem o havia parado [...]. Hughes começou me batendo com uma vara, e [...] eu disse para ele que minha mãe ficaria sabendo disso. Então, ele saiu para buscar o mestre, que passou a lidar comigo. O mestre começou a me bater com um pau na cabeça até que ela ficasse repleta de caroços e de sangue. Minha cabeça ficou tão ruim que eu não consegui dormir por um longo tempo [...]."

Entrevista de Sarah Carpenter para o The Ashton Chronicle, 23 jun. 1849. 

A) De acordo com o texto, como os operários eram tratados pelos supervisores da fábrica?

B) Quantas horas diárias os operários testaram obrigados a trabalhar? Faça uma pesquisa e busque a média de horas diárias que os trabalhadores têm que cumprir atualmente?

C) Como era a alimentação dos operários? Você considera adequada? Explique. 

D) Nos dias de hoje uma criança pode trabalhar? Pesquise no Estatuto da Criança e do Adolescente informações legais para fundamentar sua resposta.

5. Observe as ilustrações. 



A) Quais são os meios de transporte apresentados pelas imagens? Qual era sua fonte de energia?

B) Explique quais foram as principais transformações causadas  na sociedade pelos meios de transporte à época da Revolução Industrial. 

6. Leia o texto a seguir para responder as perguntas. 

"É certo ser frequente a miséria abrigar-se em  vielas escondidas, embora próximas aos palácios dos ricos; mas, em geral,  é-lhe designada uma área à parte, na qual, longe do olhar das classes mais  afortunadas, deve safar-se, bem ou mal, sozinha. Na Inglaterra, esses “bairros de má fama” se estruturam mais ou menos da mesma forma que em  todas as cidades: as piores casas na parte mais feia da cidade; quase sempre,  uma longa fila de construções de tijolos, de um ou dois andares, eventualmente com porões habitados e em geral dispostas de maneira irregular. Essas pequenas casas de três ou quatro cômodos e cozinha chamam-se cottages e normalmente constituem em toda a Inglaterra, exceto em alguns bairros de Londres, a habitação da classe operária. Habitualmente, as ruas não são planas nem calçadas, são sujas, tomadas por detritos vegetais e animais, sem esgotos ou canais de escoamento, cheias de charcos estagnados e fétidos. A ventilação na área é precária, dada a estrutura irregular do bairro e, como nesses espaços restritos vivem muitas pessoas, é fácil imaginar a qualidade do ar que se respira nessas zonas operárias – onde, ademais, quando faz bom tempo, as ruas servem aos varais que, estendidos de uma casa a outra, são usados para secar a roupa". 

ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, 2010. p. 70.

A) De acordo com Engels, como era a habitação dos bairros operários?

B) Como deveria ser a qualidade de vida dos habitantes desses bairros? Explique. 

7. Leia o documento abaixo, depois responda as perguntas. 

"Que é o Terceiro Estado? Tudo. Que tem sido até agora na ordem política? Nada. Que deseja? Vir a ser alguma coisa...

O Terceiro Estado forma em todos os setores os dezenove/vinte avos, com a diferença de que ele é encarregado de tudo o que existe de verdadeiramente penoso, de todos os trabalhos que a ordem privilegiada se recusa a cumprir. Os lugares lucrativos e honoríficos são ocupados pelos membros da ordem privilegiada...

Quem, portanto, ousaria dizer que o Terceiro Estado não tem em si tudo o que é necessário para formar uma nação completa? Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços ainda acorrentado. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos e sim alguma coisa mais. Assim, que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros...

Uma espécie de confraternidade faz com que os nobres dêem preferência a si mesmos para tudo, em relação ao resto da nação. A usurpação é completa, eles verdadeiramente reinam...

É a Corte que tem reinado e não o monarca. É a Corte que faz e desfaz, convoca e demite os ministros, cria e distribui lugares etc. Também o povo acostumou-se a separar nos seus murmúrios o monarca dos impulsionadores do poder. Ele sempre encarou o rei como um homem tão enganado e de tal maneira indefeso em meio a uma Corte ativa e todo-poderosa, que jamais pensou em culpá-lo de todo o mal que se faz em seu nome". 

(SIEYÈS. Que é o Terceiro Estado? 1789).

A) Considerando o contexto político e social da França no século XVIII, explique o significado deste trecho: "Que é o Terceiro Estado? Tudo. Que tem sido até agora na ordem política? Nada. Que deseja? Vir a ser alguma coisa..."

B) O texto menciona uma "ordem privilegiada". A qual grupo social ele está se referindo? Por que afirma que esse grupo é privilegiado?

C) Como o documento descreve o rei? A quem é atribuída a responsabilidade pelos males causados ao povo?

8. Marque Verdadeiro (V) ou Falso (F).

(   ) Os sans-culottes lutaram a favor do governo absolutista do rei da França. 
(   ) A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão pautava-se em ideias anti-liberais.
(   ) Os girondinos representavam, na Assembleia, a alta burguesia, isto é, ricos comerciantes, banqueiros e industriais.
(   ) O Iluminismo influenciou a Revolução Francesa e seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. 
(   ) O período do Terror (1793-1794) foi assim chamado devido à perseguição e execução de pessoas acusadas de traição ao governo revolucionário. 
(   ) O líder dos girondinos foi Robespierre. 
(   ) Por meio de um golpe, o general Napoleão Bonaparte pôs fim à revolução francesa. 

9. Após a execução do Rei Luís XVI em 1793 a forma de governo adotada pela França foi:

A) a Monarquia parlamentar. 
B) o parlamentarismo.
C) a manutenção do absolutismo monárquico.
D) a República.

10. A Constituição aprovada em 1793 garantia direitos, exceto:

A) Todos homens seriam iguais em face da lei.
B) Reforçava o  poder absoluto do Rei.
C) Sufrágio universal masculino.
D) Insurreição contra tirania e abuso do poder.

[Plano de Aula Completo] sobre a Semana de Arte Moderna (1922)

 A Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, no ano de 1922, foi um movimento que abarcou diversos artistas e intelectuais. A ideia era promover a renovação no campo das artes e trazer novo fôlego ao cenário cultural brasileiro. 


Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro daquele ano, no Teatro Municipal de São Paulo, houve exposições de arte, consertos musicais, palestras e apresentações poéticas sob a organização de nomes, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Di Cavalcanti, apoiados por Graça Aranha. Um dos principais patrocinadores desse movimento foi Paulo Prado, membro da elite cafeicultora paulista.

Alguns artistas modernistas reunidos.

Os modernistas propunham a superação dos cânones tradicionais nas artes, como o Realismo e o academicismo, os quais predominavam em centros como a Escola Nacional de Belas Artes e a Academia Brasileira de Letras. A influência das novas tendências da vanguarda europeia, como o cubismo, o dadaísmo e o futurismo deveriam ser deglutidas pelos artistas brasileiros e transformadas em produções originais valorizando a cultura popular e as questões nacionais.

Essa ideia foi expressa na pintura de Tarsila do Amaral, "Abaporu", de 1928. Nessa obra Tarsila fugiu do realismo e adotou cores e temas brasileiros, destacando, por exemplo, a flora existente em parte do país - o cacto, comum no interior do Nordeste. 


Na literatura, a publicação de Pauliceia desvairada, em 1922, de Mário de Andrade exerceu forte influência sobre os poetas brasileiros. 

Inicialmente, o impacto provocado pelos modernistas foi tímido, mas as repercussões do evento foram muito além daquela semana, marcando toda uma geração e influenciando novos autores, artistas e pensadores da realidade do país. 

As revistas como a Klaxon, Revista do Brasil, Verde, Antropofagia etc contribuíram para a circulação das novas ideias e tendências, ampliando o alcance e a influência do movimento Modernista. 


Os críticos e estudiosos do período dividem o Modernismo em duas fases, a saber: Estética (1922-1924) e Política (1924-1928). A primeira fase buscava a inovação artística inspirada nos movimentos de vanguarda da Europa. A fase política marcou a confluência entre o nacionalismo com o Modernismo.

Após 1928, os artistas do Modernismo tomaram rumos distintos, com grupos divididos devido às diferentes concepções estéticas e ideológicas. O grupo da "antropofagia" de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, por exemplo, tinha uma tendência mais à esquerda, aproximando-se das ideias socialistas. Já Menotti Del Picchia e o jornalista Plínio Salgado, do grupo "verde-amarelismo", defendiam valores da direita política. 

O movimento, como se pode perceber, foi heterogêneo tanto do ponto de vista estético quanto ideológico. Mas os artistas e intelectuais modernos convergiam a respeito da necessidade de renovar a arte brasileira. Era preciso conciliar os movimentos de vanguarda com as tradições e a cultura popular. A arte deveria ser a expressão da identidade nacional e não apenas um valor das elites e da oligarquia, alheia à realidade social e cultural do país.

ATIVIDADES

1. Você é o artista! Pinte o quadro "Abaporu" de Tarsila do Amaral ou faça uma releitura da obra, através da produção de um novo desenho.




2. Cruzadinha: Semana de Arte Moderna (1922)
Clique aqui.

PESQUISA 

1. Pesquise na Internet dados biográficos de Tarsila do Amaral e também sobre seu trabalho artístico. 
Depois escreva um texto destacando aspectos importantes de sua vida, seus principais trabalhos e as características de sua obra.


AVALIAÇÃO (Questões do ENEM e do PISM/UFJF)

1. ENEM, 2012.

O trovador

Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras…
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal…
Intermitentemente…
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo…
Cantabona! Cantabona!
Dlorom…
Sou um tupi tangendo um alaúde!

ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.

Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é

a) abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carnaval, remete à brasilidade.
b) verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.
c) lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).
d) problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
e) exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.

2. (ENEM, 2010) Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti e outros modernistas

a) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a originalidade e os temas nacionais.
b) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a criação artística nacional.
c) representavam a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa.
d) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada à tradição acadêmica.
e) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados.

3. (PISM, 2020) Sobre a Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo em 1922, é CORRETO afirmar:

a) Foi um movimento que criticava a influência estrangeira na cultura brasileira, rejeitando o “colonialismo mental”, defendendo a cultura nacional.
b) O movimento foi exclusividade dos poetas homens, excluindo o talento das escritoras mulheres consideradas muito radicais, uma vez que defendiam o fim do conservadorismo.
c) O movimento ocorreu por ocasião do centenário da independência do Brasil, com o objetivo de reforçar o espírito conservador do país e valorizar a cultura estrangeira moderna e suas inovações.
d) O movimento atingiu todo o Brasil e todas as classes sociais, se mostrando extremamente democrático, rompendo com a desigualdade de classes.
e) Foi um movimento conservador que redescobriu a identidade brasileira como não miscigenada, de tradição rural-agrária, recusando o desenvolvimento cosmopolita.


4. ENEM, 2010.

(Tarsila do Amaral. “O mamoeiro”, 1925. Óleo s/ tela; 65 x 70 cm. IEB-USP.)


O modernismo brasileiro teve forte influência das vanguardas europeias. A partir da Semana de Arte Moderna, esses conceitos passaram a fazer parte da arte brasileira definitivamente. Tomando como referência o quadro “O mamoeiro”, identifica-se que, nas artes plásticas, a

a) imagem passa a valer mais que as formas vanguardistas.
b) forma estética ganha linhas retas e valoriza o cotidiano.
c) natureza passa a ser admirada como um espaço utópico.
d) imagem privilegia uma ação moderna e industrializada.
e) forma apresenta contornos e detalhes humanos.

5. (PISM.UFJF) Leia os trechos abaixo: 

Trecho I 

“Desde pelo menos a conferência de Mário de Andrade, “O Movimento Modernista”, de 1942, a Semana de Arte Moderna, de fevereiro de 1922, tem sido considerada o marco inaugural do modernismo. Em 1922, já estavam firmadas as duas preocupações centrais do movimento em sua primeira fase (1917-1924). A primeira tinha a ver com a necessidade de atualizar a produção artística feita no país a um novo tempo, o que justificava a polêmica com os chamados “passadistas”. A segunda dizia respeito ao ingresso do país no concerto das nações cultas, isto é, no universo moderno. [...]”. 

Fonte: JARDIM, Eduardo. Apontamentos sobre o modernismo. In: Estudos Avançados, 36 (104), 2022). 

Trecho II 

“ [...] os dois extremos do caráter modernista, o internacionalista, procedente do contato com a Europa e em particular com Paris, e a pressão da realidade local, a chamar o artista para o seu espaço, tradições e contradições, através do pluralismo cultural de um país como o Brasil, fariam com que surgisse, a partir do modernismo, segundo a pesquisadora Telê Ancona Lopez, uma nova perspectiva de atuação, a propor um duplo caminho: a) romper com a arte de importação; b) pesquisar o popular. Ou seja, através do dado popular, restaurar a dignidade da língua e das manifestações populares a influir na literatura. [...]” 

Fonte: AMARAL, Aracy. O modernismo brasileiro e o contexto cultural dos anos 20. In: Revista USP. São Paulo, n. 94, 2012, p. 18. 

Sobre o movimento modernista, oficialmente inaugurado com a Semana de Arte Moderna de 1922:

A) Cite UMA crítica do movimento modernista às expressões de arte desenvolvidas no Brasil dos anos 1920.

B) Explique UMA característica do movimento modernista, levando em consideração o contexto sociocultural do Brasil naquele momento.

Cultura de massa

O que é cultura de massa? É aquela veiculada pelos meios de comunicação de massa como rádio, televisão, jornais e revistas de grande circula...