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20 setembro 2025

O uso da História em prol da Guerra

O presidente russo Vladimir Putin participando das celebrações em Volvogrado.


Ao celebrar os 80 anos da vitória dos soviéticos contra os nazistas em Satlingrado, atual cidade de Volvogrado, o presidente da Rússia - Vladimir Putin - evocou em seu discurso o espírito dos heróis do passado. Relacionou a batalha de outrora com o conflito atual, travado entre a Federação russa e a vizinha Ucrânia. 

A justificativa que o líder russo apresentou à nação para invadir a Ucrânia foi a de combater grupos neonazistas, os quais vinham perseguindo e matando pessoas de origem russa no território ucraniano. 

O apelo à História serve muito bem aos interesses do presidente russo, o qual busca manter o povo unido em torno de uma causa comum: proteger a pátria dos inimigos estrangeiros, sejam os neonazistas ou os países Ocidentais, os quais Putin acusa de tentar destruir a Rússia. 

Nesse sentido, a narrativa busca sensibilizar e convencer a população russa a apoiar o seu líder, mesmo que isso custe grandes sacrifícios, tais como ver jovens sendo recrutados pelas forças armadas, sem garantias de retornar às suas casas, passar por certas privações materiais devido às sanções internacionais que afetam o comércio e a oferta de determinados produtos, dentre outras mudanças na rotina provocadas pelo esforço de guerra.

A História não possui um sentido pragmático, técnico ou prático como certas disciplinas. O saber histórico não fabrica e nem comercializa nenhuma mercadoria.  

Contudo, nenhum governo abre mão dos recursos possibilitados pelo uso e manipulação das informações históricas para controlar as massas e garantir o seu poder sobre elas.  Somente a História tem essa capacidade.
Não foi por acaso que o grande escritor inglês,  George Orwell, escreveu no seu livro clássico 1984 que: 

"Quem domina o passado domina o futuro; quem domina o presente domina o passado".

Tensão militar sem precedentes?

 A guerra na Ucrânia, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022, elevou o risco de um conflito nuclear.




Os EUA e seus aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) têm enviado somas elevadíssimas de recursos financeiros, munições, armas e equipamentos militares para os ucranianos.
Os russos afirmam que o apoio militar do Ocidente à Ucrânia vai apenas prolongar o sofrimento dos ucranianos, cujo país tem sido arrasado pela artilharia inimiga.

Além disso, as autoridades russas têm feito diversos alertas da possibilidade da guerra se desdobrar numa tragédia nuclear, devido ao envolvimento dos países ocidentais no conflito.



Parece, até aqui, que o Ocidente, liderado pelos EUA, considera as advertências russas como um blefe. Assim sendo, o envio de mais armas aos ucranianos deve prosseguir,  com o apoio da OTAN, até que a Rússia seja repelida do território ou derrotada.



Porém, aqui cabem algumas reflexões: até quando as advertências da Rússia, país que detém o maior arsenal atômico do mundo, além dos poderosos mísseis hipersônicos, deverão ser tratadas como blefe? Convém exercer tamanha pressão militar e sanções econômicas sob uma superpotência nuclear?  A política adotada pelos EUA e seus aliados de enviar armas e mais armas para Ucrânia é realmente o melhor caminho para a paz?



Enquanto a insanidade da guerra prossegue  ceifando milhares de vidas, milhões de ucranianos foram obrigados a deixar suas casas e a buscar refúgio nos países vizinhos.



Uma quantia imensurável de dinheiro vem sendo aplicada em gastos militares, elevando o valor de mercado da indústria bélica. Imaginem se toda essa fortuna fosse revertida em prol do combate à miséria e à melhoria da saúde pública, por exemplo. Certamente poderíamos visualizar um cenário mundial bem diferente do nebuloso quadro atual.


Entenda a Guerra entre Ucrânia e Rússia e os posicionamentos dos países:

Rússia: exige o compromisso do governo da Ucrânia em não aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN); Alega combater neonazistas ucranianos, acusados de massacrar pessoas de origem russa que vivem na região do Donbass.

Ucrânia: demanda a retirada das tropas russas de seus limites territoriais e a devolução da Crimeia, região anexada pela Federação russa em 2014. Também almeja ter autonomia para aderir à União Europeia, distanciando-se da influência geopolítica exercida pela Rússia.

Na História...

O risco de um conflito nuclear não é algo inédito em nossa História. Em 1962, o mundo esteve à beira de uma guerra atômica entre os EUA e a URSS. Vivíamos o contexto da Guerra Fria e da disputa entre o capitalismo e o comunismo. A URSS havia instalado secretamente mísseis em Cuba, que poderiam alcançar as cidades norte-americanas. Quando os EUA descobriram a existência de tais instalações tão próximas de seu território, a crise dos mísseis foi iniciada. 

O confronto só não ocorreu devido a uma complexa negociação entre os governos soviético e norte-americano. 

Nikita Khrushchev da URSS, à esquerda, em reunião com o presidente dos EUA, John Kennedy, à direita. Viena, Áustria, 1961.

Pelo acordo estabelecido entre as duas superpotências, a URSS concordava em retirar os mísseis da ilha caribenha, em troca exigia o compromisso norte-americano de não invadir Cuba e que mísseis estadunidenses fossem retirados da Turquia, o que foi mantido em segredo. A Guerra Fria ainda não terminaria, mas pelo menos o afastamento da possibilidade de uma guerra atômica permitiu a humanidade respirar com algum alívio.

07 abril 2025

A (provável) guerra entre EUA x Irã

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Os Estados Unidos da América anunciaram no dia 1 de abril de 2025 o envio de mais um porta-aviões para o Oriente Médio, com isso a presença militar norte-americana na região será ainda mais reforçada.


Com a chegada desse porta-aviões, os norte-americanos terão duas destas embarcações na região. Tal reforço não é por acaso. Os norte-americanos estão enfrentado os Houthis, no Iêmen, e o presidente Donald Trump tem elevado o tom contra o Irã em suas últimas declarações prometendo bombardear a república islâmica.

Diversos analistas militares norte-americanos dão como certa que a guerra entre EUA e Irã será deflagrada em breve e que será sangrenta. Os norte-americanos pretendem impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e, com isso, ameace a existência de Israel, aliado dos EUA no Oriente Médio. Como o Irã mantém instalações subterrâneas sob forte proteção, mísseis e bombas convencionais não teriam capacidade para destruí-las, por isso, há quem considere que os norte-americanos possam recorrer ao uso de armas nucleares táticas. O uso de qualquer tipo de arma já é terrível e condenável, mas só de imaginar que armas de destruição em massa podem vir a ser utilizadas novamente é bastante assustador... A última vez que tais artefatos foram empregados foi em 1945, contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki, pelos mesmos norte-americanos e os resultados foram catastróficos e amplamente conhecidos por todos.

O líder supremo da república islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, tem respondido às ameaças norte-americanas prometendo retaliar caso seu país sofra alguma agressão. Mas será que o Irã terá capacidade de causar algum dano significativo às forças militares norte-americanas? Será que os iranianos conseguiriam se defender de seus algozes?     

Já é bastante notório o desenvolvimento de mísseis e drones do arsenal iraniano, contudo, somente esses recursos dificilmente livrarão o país das barragens de mísseis norte-americanos, lançadas por jatos, navios e submarinos.   
Quanto tempo o Irã suportaria? Provavelmente, não muito. Estima-se que os serviços de inteligência combinados de EUA e de Israel já trabalham com grupos opositores ao regime de Khamenei para, no curso da provável guerra, derrubar o governo, colocando em seu lugar alguém mais favorável ao Ocidente, que facilitará a desmilitarização do país, desistirá do programa nuclear e não representará mais nenhuma ameaça à Israel. Assim, o Irã teria um destino semelhante ao Iraque e ao Afeganistão, ambos também foram bombardeados e invadidos por forças norte-americanas. 

É certo que esse conflito desencadeará o aumento da instabilidade no Oriente Médio, tornando aquela região ainda mais violenta e sangrenta e provocará uma crise econômica de grandes proporções, afetando inúmeros países mundo afora.

Nessa história, como ficam as outras potências, caso de Rússia e China, as quais, aliás, são aliadas do Irã? Ambas já emitiram notas de advertência aos EUA, alertando sob os riscos de um conflito regional. Provavelmente, não farão mais do que isto. A Síria, também no Oriente Médio, era aliada da Rússia, lá o seu presidente foi deposto faz pouco tempo. Os russos pouco fizeram para ajudá-lo. Ofereceram asilo político para Assad e sua família, talvez faça o mesmo por Khamenei, caso ele sobreviva ao horror que se avizinha... 

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