14 setembro 2025

Diferenças étnicas e culturais no Brasil: Do processo de colonização portuguesa aos dias atuais

Desde a chegada dos portugueses no Brasil, em 22 de abril de 1500, houve um estranhamento em relação aos hábitos e costumes dos nativos. Tal surpresa em relação às diferenças e à  cultura do outro fica bastante evidente na documentação produzida no período colonial.

Vejamos alguns exemplos:

"A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador.

[...]

Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios, que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos".

(Trecho da carta de achamento do Brasil, Pero de Vaz de Caminha, 1500).

"A língua deste gentio toda pela costa é, uma: carece de três letras – scilicet, não se acha nela F, nem L, nem R, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira vivem sem Justiça e desordenadamente".

(Relato de Pero de Magalhães Gandavo, 1576).

Nos registros acima ficam evidentes alguns pontos importantes, como a valorização da cultura europeia e a inferiorização da cultura dos povos indígenas, refletindo a visão eurocêntrica de suposta superioridade.

Note que não há preocupação, por parte dos cronistas europeus, em compreender o modo de vida e a cultura dos povos nativos. Esses registros vão servir para construir uma visão estereotipada do índio como um ser selvagem, que precisa ser catequizado, colonizado e submetido ao trabalho escravo. 

Tal processo de colonização, como sabemos, resultou na destruição do modo de vida do povo indígena e no extermínio de milhares de índios, os quais eram vítimas das doenças, dos maus tratos recebidos e das "guerras justas" travadas pelos colonizadores.


Atualmente

Nos dias atuais as diferenças étnicas ainda provocam conflitos e violência, como ocorreu no passado. Observe nos exemplos a seguir:


"O índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, 45, teve 95% do corpo queimado depois de ter sido incendiado anteontem em Brasília.
Um grupo de cinco estudantes jogou sobre ele uma substância líquida, provavelmente álcool. Os jovens teriam, então, ateado fogo. Segundo os médicos, Santos não tem chance de sobreviver.
Os estudantes confessaram a seu advogado ter jogado ``algo'' sobre Santos, mas negam que tenham ateado fogo na sequência.
O crime aconteceu em um ponto de ônibus, quando Santos dormia em um banco, depois de uma comemoração do Dia do Índio, na sede da Funai".

(Notícia de 21 de abril de 1997. Folha de São Paulo on-line).

No primeiro um grupo de jovens ateou fogo num índio, o qual morreu devido às queimaduras. Agora analisaremos outro caso:


"Uma menina de 11 anos foi ferida por uma pedra na cabeça ao deixar um culto de candomblé na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, a menina foi atacada por evangélicos e foi vítima de intolerância religiosa. Com a pedrada, a jovem chegou a desmaiar e perder momentaneamente a memória

Os autores da pedrada, que seriam dois homens, conseguiram fugir. Pouco antes da agressão, eles teriam xingado e provocado os adeptos do candomblé que estavam com a menina".

(Notícia on-line, 16 mai. 2015. uol.com). 

No último exemplo temos o registro da intolerância religiosa persistente e do fanatismo, que leva extremistas a agredirem uma criança que pratica o candomblé, uma religião afro-brasileira, com raízes históricas coloniais do passado escravocrata do país. 

Em suma, as tensões e os conflitos entre os diferentes grupos étnicos que compõem a sociedade brasileira persistem desde os tempos coloniais. Cabe a cada indivíduo e ao poder público a iniciativa para adotar medidas que favoreçam o bom convívio entre os diferentes, pautado na inclusão, no respeito, tolerância e na igualdade de oportunidades para todos.

Conflitos étnicos no século XX

 Conflitos étnicos no contexto das duas Guerras Mundiais


Conceitos 


Etnia:  grupo social que se diferencia de outros devido à língua, cultura, religião diferentes embora compartilhem uma origem e história em comum.

Genocídio: extermínio total, deliberado, de uma comunidade, grupo étnico ou religioso.

  • O genocídio armênio

A Armênia fica na Ásia Menor, situada entre três continentes - Europa, Ásia e África - e foi, ao longo da História, governada por persas, gregos, romanos, bizantinos entre outros povos. Apesar  do domínio estrangeiro na região, os armênios conseguiam preservar sua identidade cultural e religiosa. Desde a Antiguidade eles tinham adotado o cristianismo.

A Armênia era parte do Império Turco Otomano, cuja ideia era expandir sua influência para o Leste e unificar os povos sob seu domínio, porém, os armênios representavam um obstáculo para os turcos mais radicais. Devido à intolerância cultural e religiosa,  os turcos começaram a perseguir e exterminar os armênios. Estima-se que entre 1915 a 1923 mais de 1,5 milhão de armênios tenham sido mortos pelos nacionalistas turcos. Outros milhares foram obrigados a deixar a sua terra natal, os que sobreviveram ao horror eram obrigados adotar o islamismo.


Até hoje o governo da Turquia não reconhece o genocídio armênio, porém a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Parlamento europeu reconhecem o genocídio, assim como o fez Senado Brasileiro, em 2015.


  • Holocausto

Em 1935, os nazistas aprovaram "Leis raciais" proibindo o casamento entre os alemães com raças consideradas inferiores, como os judeus.


A legislação nazista impôs uma série de medidas aos judeus, limitando o acesso desse povo aos serviços de saúde, educação, impedindo-os de ocupar os cargos públicos. Milhares optaram por deixar o país, abandonando suas casas e seus negócios.

No dia 9 de novembro de 1938 sinagogas e lojas pertencentes aos judeus foram depredadas pelas milícias do governo nazista, num evento conhecido como Noite dos Cristais.


A violência e a perseguição contra os judeus e outras minorias continuou até o fim do regime nazista em 1945. Tais grupos foram confinados em guetos e enclausurados em campos de concentração submetidos a tortura e ao trabalho forcado. Os nazistas foram os responsáveis pelo Holocausto e a morte de mais de 6 milhões de judeus.


  • Conflitos étnicos no contexto de criação do Estado de Israel

Em 1948, a Resolução 181 da Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) aprovou um documento que previa a divisão da Palestina, no Oriente Médio, para criar dois Estados, um para os árabes e um para os judeus (Israel).

Muitos judeus dirigiram-se para a Palestina, num retorno histórico ao lar onde esperavam viver em paz depois do horror do Holocausto provocado pelos nazistas.


Ocorre que a criação do Estado de Israel e a chegada dos judeus na região tornou-se um problema para os povos palestinos e os países árabes. Desde então, os dois povos têm travado conflitos e guerras sistemáticas por disputas de terras e definição de limites e fronteiras resultando em uma catástrofe humanitária que parece não ter fim.

Em 1967, por exemplo, ocorreu a Guerra dos Seis dias quando Israel derrotou uma aliança árabe (Egito, Jordânia e Síria). Após o conflito, o Estado judeu passou a ocupar 75% do território que seria destinado à criação do Estado palestino. Parte dessas terras foram devolvidas, após 1982, parte permanece ocupada até os dias atuais sendo motivo de disputa.

Como Israel têm aliados poderosos, como os EUA, o país conseguiu fortalecer suas defesas e seu exército. Os palestinos, embora também tenham aliados, detém menos recursos bélicos e suas capacidades militares são reduzidas. De modo que as respostas israelenses aos ataques palestinos são desproporcionais, na visão de alguns analistas. 

Cisjordânia: casas palestinas e assentamentos israelenses.

A desproporcionalidade entre as forças faz com que Israel avance sobre os territórios palestinos e incentive a formação de assentamentos e colônias, fomentando ainda mais a rivalidade e a violência entre os dois povos. 



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Doutor Irineu Lisbôa: anúncio em um jornal de 1927

 


12 setembro 2025

Chico Mendes (1944-1988): um defensor da floresta e do desenvolvimento sustentável

Chico Mendes foi um defensor da exploração sustentável da floresta Amazônica e da melhoria das condições de vida dos seringueiros.



Sua luta pela preservação da floresta repercutiu internacionalmente, chamando a atenção de todos para a destruição da Amazônia.

Mendes também defendeu os direitos dos povos da floresta e acabou contrariando interesses poderosos. 


Por isso, ele foi assassinado em 1988, mas seu legado segue vivo e continua atual e necessário, tendo em vista que a Amazônia continua sendo vítima da exploração econômica predatória, como o garimpo e a extração ilegal de madeira.

Lei que cria a Carteira Nacional Docente foi sancionada

Documento é destinado a professores da educação pública e privada de todo o país. Carteira facilitará acesso a prerrogativas como desconto em eventos culturais, além de novos benefícios e vantagens.

Segundo a lei, os objetivos da carteira são identificar professores; promover sua valorização e reconhecimento; e facilitar o acesso às prerrogativas decorrentes da sua condição, como acesso a ferramentas de trabalho (programas de computador, por exemplo) e descontos em eventos culturais e em diárias de hotéis.  A lei foi sancionada pelo Presidente Lula no dia  de setembro de 2025.

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