04 agosto 2026

Direitos humanos e a resolução de conflitos

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) os direitos humanos são universais, isto é, inerentes a todos os indivíduos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade ou religião. Entre os direitos humanos temos o direito à vida, à liberdade, à liberdade de opinião,  ao trabalho,  educação entre outros.

A ideia dos direitos humanos nasceu a partir das declarações de direitos dos séculos XVII e XVIII como estratégias da burguesia para combater os abusos do poder absolutista e proteger a propriedade privada. 

Documentos que inspiraram os direitos humanos 

. 1689: Bill of rights na Inglaterra.

. 1789: Declaração de direitos do homem e do cidadão na França.

No século XX, a luta por direitos encampou a resistência contra a opressão das ditaduras militares na América Latina e do Apartheid na África do Sul, por exemplo. 

Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o mundo tomou conhecimento dos horrores praticados pelos nazistas, como o Holocausto contra o povo judeu. A ONU nasceu após o conflito com o objetivo de mediar as relações diplomáticas entre as nações para evitar a devastação humana, o genocídio e a destruição material provocada pelas guerras mundiais. 

Em 1948, a Assembleia Geral da ONU promulgou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). A DUDH visa garantir os direitos humanos a todos os indivíduos do mundo, o respeito à diversidade e à dignidade. 

O Direito Internacional, por sua vez, estabelece as obrigações dos governos para promover e proteger os direitos humanos e as liberdades individuais e coletivas. 

Em 1999, a ONU publicou a Declaração e Programa de Ação para a Cultura de Paz para combater a violência e promover a cultura de paz. Nesse sentido, o respeito aos direitos humanos é essencial para a paz e para a resolução pacífica dos conflitos. O papel da educação nesse processo é fundamental, cabendo a ela disseminar nas sociedades atitudes de respeito e diálogo entre as pessoas. 

A cultura de paz passa pelas mudanças em duas dimensões interdependentes, os níveis micro e macro. A nível micro temos o indivíduo e suas atitudes e relações interpessoais e familiares. A nível macro temos mudanças que precisam repensar os processos sociais e as políticas públicas para combater a violência estrutural.

Assim, o respeito aos direitos humanos estão intimamente associados à construção de uma cultura de paz entre os povos nas diversas partes do mundo. 

A construção dos discursos dicotômicos

Civilizados, bárbaros e selvagens


Ao longo da História das civilizações os contatos entre diferentes povos, na maioria das vezes, ocorreu de forma conflituosa, antagônica, dicotômica.

Essa dicotomia na relação entre os grupos humanos dividia os povos em dois polos opostos, caso das ideias ligadas aos termos civilizado e bárbaro.

Os povos "civilizados" se colocavam numa posição de superioridade cultural, física e tecnológica em relação a outros, os quais eram rotulados de bárbaros, devido à sua suposta inferioridade cultural. 

Nesse sentido, aos bárbaros e selvagens restavam poucas alternativas: servir aos interesses dos povos civilizados ou ser exterminado por eles.
Essa dicotomia é bastante evidente em uma lenda da Mesopotâmia Antiga que exaltava Gilgamesh,  governante de Uruk por volta de 2650 a. C.

A epopeia de Gilgamesh destaca a muralha e o templo construídos pelo monarca e outros atributos do herói. O antigo poema também nos apresenta Enkidu, um ser criado para antagonizar Gilgamesh. Enkidu foi deixado na floresta, longe da humanidade, tinha o corpo coberto de pelos e era selvagem como os animais.

"Quando os deuses criaram Gilgamesh deram-lhe um corpo perfeito. Shamash, o glorioso Sol, dotou-o de beleza. Adad, o deus da tempestade, dotou-o de coragem. Os grandes deuses fizeram perfeita a sua beleza que ultrapassava todas as outras. Dois terços o fizeram deus e um terço, humano.  Em Uruk ele construiu muralhas, uma grande fortaleza e o bendito templo Eanna, para Anu, o deus do firmamento, e  para Ishtar, a deusa do amor e da guerra. Gilgamesh andou por terras estrangeiras, através do mundo, mas até regressar a Uruk não encontrou ninguém que  pudesse resistir aos seus braços.

[...]

Eles que briguem um com o outro e deixem Uruk em paz. A deusa então concebeu em sua mente uma imagem cuja essência era a mesma de Anu, o deus do firmamento. Ela mergulhou as mãos na água e tomou um pedaço de barro; ela o deixou cair na selva, e assim foi criado o nobre Enkidu. Havia nele virtudes do deus da guerra, do próprio Ninurta. Seu corpo era rústico, seus cabelos como os de uma mulher; eles ondulavam como os cabelos de Nisaba, a deusa dos grãos. Ele tinha o corpo coberto por pelos emaranhados como os de Samuqan, o deus do gado. Ele era inocente a respeito da humanidade e nada conhecia do cultivo da terra" (Epopeia de Gilgamesh). 

Na Grécia Antiga o filósofo Aristóteles também se referiu aos povos bárbaros, isto é, aqueles que não tinham os mesmos costumes e nem falavam a mesma língua dos gregos. 

"É para a mútua conservação que a natureza deu a um o comando e impôs a submissão ao outro. Pertence também ao desígnio da natureza que comande quem pode, por sua inteligência, tudo prover e, pelo contrário, que obedeça quem não possa contribuir para a prosperidade comum a não ser pelo trabalho de seu corpo. Esta partilha é salutar para o senhor e para o escravo" (ARISTÓTELES,  A política).

O filósofo grego também destacou a diferença entre livres e escravos. O pensamento aristotélico servirá de base para justificar a escravidão na Idade Moderna e o sistema mercantil de tráfico montado pelos europeus. Os povos indígenas e africanos serão considerados bárbaros, inferiores, portanto, passíveis à submissão. Enquanto o europeu vê a si mesmo como civilizado e responsável pela propagação do cristianismo por todos os cantos do mundo. 



A imagem do colonizador e do colonizado

O colonialismo, iniciado no século XV, opôs as condições do colono e do colonizado, estabelecendo diferenças para justificar o processo de dominação do último pelo primeiro. 

"O termo Colonialismo pode ser conceituado como um método de dominação de uma nação sobre outra por meios territoriais, culturais e econômicos. Existem dois modelos de formação de colônias: o modelo de exploração, que busca a extração de recursos e matérias-primas da região colonizada para o império colonizador e o modelo de povoamento, relacionado com o deslocamento de uma massa de colonos para o território a ser colonizado. O Colonialismo está diretamente ligado ao Imperialismo e ao Orientalismo, este último vinculado a uma falsa ideia de globalização que compõe uma narrativa de legitimação do processo de invasão e opressão do Ocidente sobre o Oriente". (Laboratório de estudo do mundo árabe e islã, Universidade Federal do Pampa).


Na América, o processo colonizador resultou num terrível genocídio, os povos colonizados foram exterminados pela guerra, pelas doenças e pelo trabalho forçado. O frei espanhol Bartolomeu de Las Casas registrou com assombro as crueldades praticadas pelos colonizadores espanhóis contra os povos indígenas:

“Na ilha Espanhola que foi a primeira, como se disse, a que chegaram os espanhóis, começaram as grandes matanças e perdas de gente, tendo os espanhóis começado a tomar as mulheres e filhos dos índios para deles servir-se e usar mal e a comer seus víveres adquiridos por seus suores e trabalhos, não se contentando com o que os índios de bom grado lhes davam, cada qual segundo sua faculdade, a qual é sempre pequena porque estão acostumados a não ter de provisão mais do que necessitam e que obtêm com pouco trabalho. E o que pode bastar durante um mês para três lares de dez pessoas, um espanhol o come ou destrói num só dia. Depois de muitos outros abusos, violências e tormentos a que os submetiam, os índios começaram a perceber que esses homens não podiam ter descido do céu. Alguns escondiam suas carnes, outros suas mulheres e seus filhos e outros fugiam para as montanhas a fim de se afastar dessa Nação. Os espanhóis lhes davam bofetadas, socos e bastonadas e se ingeriam em sua vida até deitar a mão sobre os senhores das cidades.”  

Os índios que sobreviviam fugiam ou acabavam sendo submetidos à servidão, outros eram reunidos em aldeias e  passavam pela catequese sob os cuidados de missionários religiosos, como os jesuítas.


Na América Portuguesa os índios eram tratados como selvagens,  visto que:

"Não reconhecendo nos nativos uma cultura própria, os portugueses pretendiam torná-los súditos do rei de Portugal e cristãos. Eram incapazes de entender os índios e o seu contexto sócio - cultural, reduzindo-os à condição de selvagens, de acordo com os padrões europeus" (Site Multirio). 

Um cronista português do século XVI, Pero de Magalhães Gândavo, explicitou, num relato, a incapacidade do europeu em compreender a cultura e a organização social e política própria dos povos indígenas. 

"A lingua deste gentio toda pela Costa he, huma: carece de tres letras —scilicet, não se acha nella F, nem L, nem R, cousa digna de espanto, porque assi não têm Fé, nem Lei, nem Rei; e desta maneira vivem sem Justiça e desordenadamente.

Estes indios andão nús sem cobertura alguma, assi machos como femeas; não cobrem parte nenhuma de seu corpo..."




A incompreensão dos europeus acerca do modo de vida dos povos indígenas gerou preconceitos e os rótulos de "selvagens", "bárbaros", os quais deveriam ser combatidos pela "guerra justa" ou assimilados pela aculturação, pelo trabalho escravo e a aceitação dos costumes e crenças europeias.



Avaliação 

(ENEM, 2015) A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e dessa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disto conta, nem peso, nem medida.

GÂNGAVO, P.  M. A primeira história do Brasil: história da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2004 (adaptado)


A observação do cronista português Pero de Magalhães de Gândavo, em 1576, sobre a ausência das letras F, L e R na língua mencionada, demonstra a

A) simplicidade da organização social das tribos brasileiras.
B) dominação portuguesa imposta aos índios no início da colonização.
C) superioridade da sociedade europeia em relação à sociedade indígena.
D) incompreensão dos valores socioculturais indígenas pelos portugueses.
E) dificuldade experimentada pelos portugueses no aprendizado da língua nativa.

[Lista de exercícios] Imperalismo e neocolonialismo

Lista de exercícios sobre Imperialismo e Neocolonialismo. Questões vestibular, PISM e ENEM. 


1. Em dezembro de 1945, começou uma greve de dois meses no principal porto da África Ocidental Francesa, Dacar. As autoridades só conseguiram levar os grevistas de volta ao trabalho com grandes aumentos de salário e, o que é ainda mais importante, pondo em prática todo o aparato de relações industriais usado na França — em resumo, agindo como se os grevistas fossem modernos operários industriais.

COOPER, F.; HOLT, T.; SCOTT, R. Além da escravidão. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005 (adaptado).

Durante o neocolonialismo, o trabalho forçado — que não se confunde com a escravidão — foi uma constante em diversas regiões do continente africano até o século XX. De acordo com o texto, sua superação deriva da

A) crítica moral da intelectualidade metropolitana.
B) pressão articulada dos organismos multilaterais.
C)resistência organizada dos trabalhadores nativos.
D) concessão pessoal dos empresários imperialistas.
E) baixa lucratividade dos empreendimentos capitalistas.

2. A produção de um ou dois cultivos de exportação transformou-se em regra em 1935: cacau na Costa do Ouro, amendoim no Senegal e em Gâmbia, algodão no Sudão, café e algodão em Uganda, café e sisal na Tanzânia etc. O trabalho forçado e o abandono da produção alimentar provocaram muita desnutrição, graves surtos de fome e epidemias, em certas partes da África, no início da Era Colonial.

BOAHEN, A. A. O legado do Colonialismo. Correio da Unesco, n. 7, jul. 1984 (adaptado).
 
Nos termos apresentados no texto, o Neocolonialismo europeu deixou o seguinte legado para as áreas ocupadas:

A) Desconcentração da estrutura fundiária.
B) Expropriação de direitos humanitários.
C) Autossuficiência do mercado interno.
D) Valorização de técnicas ancestrais.
E) Autonomia do setor financeiro.

3. Ata Geral da Conferência de Bruxelas, 2 de julho de 1890

            As potências declaram que os meios mais eficazes para combater a escravatura no interior da África são os seguintes:

      1º — A organização progressiva dos serviços administrativos judiciais, religiosos e militares nos territórios da África, colocados sob a soberania ou sob protetorado das nações civilizadas;

        2º — O estabelecimento gradual no interior, pelas potências de quem dependem os territórios, de estações fortemente ocupadas, de maneira que a sua ação protetora ou repressiva possa se fazer sentir com eficácia nos territórios assolados pela caçada ao homem.

Disponível em: www.fd.unl.pt. Acesso em: 21 jan. 2015.


No contexto da colonização da África do século XIX, o recurso ao argumento civilizatório apresentado no texto buscava legitimar o(a)

A) estabelecimento de governos para a constituição de Estados nacionais. 
B) submissão de espaços para alterar as relações de produção.
C) delimitação de jurisdições para bloquear a expansão capitalista. 
D) defesa do continente para encerrar as contínuas guerras civis. 
E) reconhecimento da alteridade para preservar as práticas tribais.

4. No Segundo Congresso internacional de Ciências Geográficas, em 1875, a que compareceram o presidente da República, o governador de Paris e o presidente da Assembleia, o discurso inaugural do almirante La Roucière-Le Noury expôs a atitude predominante no encontro: “Cavalheiros, a Providência nos ditou a obrigação de conhecer e conquistar a terra. Essa ordem suprema é um dos deveres imperiosos inscritos em nossas inteligências e nossas atividades. A geografia, essa ciência que inspira tão bela devoção e em cujo nome foram sacrificadas tantas vítimas, tornou-se a filosofia da terra”.

SAID, E. Cultura e política. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

No contexto histórico apresentado, a exaltação da ciência geográfica decorre do seu uso para o(a)

A) preservação cultural dos territórios ocupados.
B) formação humanitária da sociedade europeia.
C) catalogação de dados úteis aos propósitos colonialistas.
D) desenvolvimento de técnicas matemáticas de construção de cartas.
E) consolidação do conhecimento topográfico como campo acadêmico.

5. Na segunda metade do século XIX, muitos povos africanos e asiáticos viram seus territórios serem
ocupados pelas potências europeias. Sobre o imperialismo e neocolonialismo europeu na África e na Ásia, leia atentamente as afirmações abaixo:

I) O desenvolvimento industrial das grandes potências europeias levou ao empreendimento de um novo modelo de colonização. O aumento da produção e o acúmulo de capitais fizeram com que essas potências buscassem ampliar seus mercados e adquirir matéria-prima a custos mais baixos.
II) Durante a Conferência de Berlim, ocorrida entre os anos de 1884-1885, as potências europeias estabeleceram regras para a exploração e ocupação da África, levando em consideração a diversidade cultural e as identidades étnico-territoriais.
III) Os povos africanos e asiáticos não aceitaram passivamente o domínio dos europeus, o que gerou
diferentes formas de resistência em ambos os continentes. Muitos nativos utilizaram varias técnicas e táticas militares para defenderem-se contra a ocupação e exploração dos europeus.
IV) O discurso ideológico que procurou legitimar o domínio e exploração europeia nos continentes africano e asiático foi baseado nas teorias raciais. Difundiu-se a ideia de que os europeus constituíam a raça branca e superior, cuja missão era levar a civilização para lugares habitados por raças inferiores, primitivas e bárbaras.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) Todas as afirmativas estão corretas.
b) Todas as alternativas estão incorretas.
c) As afirmativas I, II e III estão corretas.
d) As afirmativas I, III e IV estão corretas.
e) Apenas as afirmativas I e IV estão corretas. 

6. Analise atentamente os documentos abaixo:

DOCUMENTO 1

"Todos sabem que a Terra é um planeta e, portanto, redondo (ou quase). Bolas não têm meio, apenas centro e, nesse
caso, qualquer indicação externa é arbitrária e convencional. A representação cartográfica do planeta é uma
uropeia de compreensão do mundo. (...). O mapa também se afirma como um
instrumento de formação da cidadania, definindo-se como emblema de identidade da nação. "

KNAUSS, Paulo; RICCI, Claudia e CHIAVARI, Maria Pace. Brasil: uma cartografia. Rio de Janeiro: : Casa da Palavra, 2010. 

DOCUMENTO 2

QUINO. Toda Mafalda, São Paulo: Martins Fontes, 2019, p. 5.

Observando comparativamente o texto e a Tirinha da Mafalda é possível dizer que o modo de se compreender o espaço geográfico tem relação com o tema da identidade das nações. Sobre isso:

A) Cite DUAS nações europeias que se expandiram para outras partes do mundo no século XIX:

B) Explique como os mapas do século XIX serviram aos propósitos do imperialismo.

7. A política imperialista consistia na busca, principalmente, de novos mercados consumidores para os países industrializados e foi assim que vários países da África e da Ásia sofreram com a prática da neocolonização nos séculos XIX e XX. Portanto, sobre a justificativa construída pelas potências europeias para invadir as nações do continente africano e asiático é correto dizer que:

a) As potências europeias justificavam a invasão nos países periféricos afirmando que essa ação contribuiria para o desenvolvimento industrial e que incentivaria a adoção de um regime socialista nos países asiáticos.
b) As principais alegações utilizadas na prática do Imperialismo foram as teorias darwinistas que defendiam a superioridade cultural dos países europeus, sendo eles os países que levariam o progresso e o desenvolvimento social para os países da África e da Ásia através da missão civilizadora.
c) Uma das justificativas era que os europeus aprenderiam técnicas industriais com os africanos e asiáticos, o que acarretaria no desenvolvimento econômico e científico dos países desenvolvidos.
d) O fardo do homem branco era uma das legitimações europeias durante a política imperialista. Esse fardo consistia numa missão que contribuiria para o desenvolvimento industrial dos países africanos e asiáticos, gerando assim o crescimento da burguesia local, fazendo com que os países não desenvolvidos tivessem suas próprias indústrias. 

8. Identifique, entre as afirmativas a seguir, a que se refere a consequências da Revolução Industrial:

a) redução do processo de urbanização, aumento da população dos campos e sensível êxodo urbano.
b) maior divisão técnica do trabalho, utilização constante de máquinas e afirmação do capitalismo como modo de produção dominante.
c) declínio do proletariado como classe na nova estrutura social, valorização das corporações e manufaturas.
d) formação, nos grandes centros de produção, das associações de operários denominadas “trade unions”, que promoveram a conciliação entre patrões e empregados.
e) manutenção da estrutura das grandes propriedades, com as terras comunais, e da garantia plena dos direitos dos arrendatários agrícolas.

[Lista de exercícios] Atividades sobre Memória e poder

Lista de exercícios com atividades de leitura e interpretação de textos sobre a relação entre a memória coletiva, patrimônio histórico e poder


1. Leia o texto a seguir depois responda as perguntas. 

"O Estado nacional surgiu, portanto, a partir da invenção de um conjunto de cidadãos que deveriam compartilhar uma língua e uma cultura, uma origem e um território. Para isso, foram necessárias políticas educacionais que difundissem, já entre as crianças, a ideia de pertencimento a uma nação. Os estudiosos modernos chamaram isso de introjeção ou doutrinação interior, que visava a imbuir o jovem, desde cedo, de sentimentos e conceitos que passavam a fazer parte de sua compreensão de mundo, como se tudo fosse dado pela própria natureza das coisas. Um sociólogo de nossa época,  o francês Pierre Bordieu, usou a palavra habitus para se referir a essa naturalização inconsciente que, no contexto dos Estados nacionais, depende de mecanismos de reprodução social, como a escola. Vários outros pensadores modernos, como Gilles Deleuze e Michel Foucault, ressaltaram o papel da escola na difusão e aceitação dos conceitos sociais. 

Os novos Estados nacionais tiveram como tarefa primeira inventar os cidadãos.  Em relação a isso, há uma frase famosa que vale a pena recordar. Logo após a unificação italiana,  em meados do século XIX, menos de 5% da população da Península Itálica falava ou entendia o italiano. O líder da unificação, Massimo D'Azeglio, constatou que "feita a Itália,  é preciso fazer os italianos". 

(FUNARI, P. P., PELEGRINI, S. C. A. Patrimônio histórico e cultural.  Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006, p. 16-7).

A) Qual o papel da escola no processo de construção da identidade nacional?

B) Apresente uma definição para o conceito de Estado Nacional. 

C) Explique o sentido da frase "feita a Itália, é preciso fazer os italianos".

2. Leia o trecho a seguir, depois responda as questões. 

"... a leitura do Times de 17 de março dava a impressão de que, num discurso proferido na véspera, o Grande Irmão previra que as coisas permaneceriam calmas no fronte do sul da Índia, mas que o norte da África em breve assistiria a uma ofensiva das forças eurasianas. Na verdade, porém, o alto-comando da Eurásia lançara uma ofensiva sobre o sul da Índia, deixando o norte da África em paz. Assim, era necessário reescrever um parágrafo do discurso do Grande Irmão, de forma a garantir que a previsão que ele havia feito estivesse de acordo com aquilo que realmente acontecera. Ou ainda: o Times de 19 de dezembro publicara as estimativas oficiais do volume a ser atingido na produção de uma série de bens de consumo no quarto trimestre de 1983, que ao mesmo tempo era o sexto trimestre do Nono Plano Trienal. A edição do Times daquele dia trazia a informação sobre o volume de produção efetivamente atingido no período, e os números estavam em franco desacordo com os prognósticos anunciados em dezembro. A tarefa de Winston era retificar os números originais, fazendo-os corresponder aos resultados de fato obtidos. Já a terceira mensagem fazia referência a um erro muito simples, cuja correção não demandaria mais que alguns minutos de trabalho. Em fevereiro último, o Ministério da Pujança fizera publicamente a promessa (no linguajar oficial: “assumira o compromisso categórico”) de não promover nenhum corte na ração de chocolate no decorrer de 1984. Na verdade, como Winston já sabia, no fim daquela semana a ração de chocolate seria reduzida de trinta para vinte gramas. Bastava substituir a promessa original pela advertência de que a ração de chocolate provavelmente sofreria uma redução em abril. Tão logo se desincumbiu das mensagens, Winston juntou com clipes as ditografias de suas correções às respectivas edições do Times e as introduziu no tubo pneumático. Em seguida, com um movimento que ele fez o possível para que parecesse inconsciente, amassou as mensagens originais e duas ou três anotações que ele próprio fizera e as atirou todas no buraco da memória para que fossem devoradas pelas chamas. Winston não sabia em detalhe o que acontecia no labirinto invisível a que os tubos pneumáticos conduziam, mas tinha uma visão geral da coisa. Depois de efetuadas todas as correções a que determinada edição do Times precisava ser submetida e uma vez procedida a inclusão de todas as emendas, a edição era reimpressa, o original era destruído e a cópia corrigida era arquivada no lugar da outra. Esse processo de alteração contínua valia não apenas para jornais como também para livros, periódicos, panfletos, cartazes, folhetos, filmes, trilhas sonoras, desenhos animados, fotos — enfim, para todo tipo de literatura ou documentação que pudesse vir a ter algum significado político ou ideológico".

ORWEL, George. 1984

A) Qual seria a finalidade do "processo de alteração contínua" descrito no texto?

B) Imagine que você vivesse num país com práticas semelhantes às citadas no texto. Como deveria ser a forma de governo deste lugar? Justifique sua resposta. 

C) "... amassou as mensagens originais e duas ou três anotações que ele próprio fizera e as atirou todas no buraco da memória para que fossem devoradas pelas chamas".

Podemos afirmar que os líderes desse país estavam preocupados com a memória coletiva? Justifique sua resposta.

3. A Unesco condenou a destruição da antiga capital assíria de Nimrod, no Iraque, pelo Estado Islâmico, com a agência da ONU considerando o ato como um crime de guerra. O grupo iniciou um processo de demolição em vários sítios arqueológicos em uma área reconhecida como um dos berços da civilização.

Unesco e especialistas condenam destruição de cidade assíria pelo Estado Islâmico. Disponivel em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 30 mar. 2015 (adaptado).

O tipo de atentado descrito no texto tem como consequência para as populações de países como o Iraque a desestruturação do(a)

A) homogeneidade cultural.
B) patrimônio histórico.
C) controle ocidental.
D) unidade étnica.
E) religião oficial.

4. Desde meados de 2015 que os noticiários virtuais têm estampados manchetes sobre as ações violentas do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), na Síria e no Iraque. Recentemente, o EI explodiu um antigo templo, com cerca de 2 mil anos de idade, e colunas romanas com grande valor arqueológico em Palmira, na Síria.


O atentado mencionado no texto afeta qual aspecto da vida das populações do Oriente Médio? 

a) homogeneidade cultural.
b) patrimônio histórico.
c) controle ocidental.
d) unidade étnica.
e) religião oficial.

6. Leia o texto a seguir, depois responda as perguntas.

"Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim." 

(Voto do então deputado federal Jair Bolsonaro a favor do Impeachment da presidente Dilma Rousseff, 2016).

A) No voto do deputado pela abertura do impeachment há uma referência à memória. Pesquise e explique qual foi a intenção do parlamentar em seu discurso.

B) Leia o Preâmbulo e o artigo 5º,  inciso III, da Constituição Federal de 1988. Em que medida o discurso do deputado federal contraria os princípios estabelecidos pela Carta Magna de nosso país? 

[Lista de exercícios] sobre Cultura de massa

Atividades sobre Indústria cultural e cultura de massa



1.Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado
Ê, povo feliz!

ZÉ RAMALHO. A peleja do diabo com o dono do céu. Rio de Janeiro: Sony, 1979 (fragmento).

Qual comportamento coletivo é criticado no trecho da letra da canção lançada em 1979?

A) Militância política.
B) Passividade social.
C) Altruísmo religioso.
D) Autocontrole moral.
E) Inconformismo eleitoral.

2. Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro; Zahar, 1985.

A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a)

A) legado social.
B) patrimônio politico.
C) produto da moralidade.
D) conquista da humanidade.
E) ilusão da contemporaneidade.

3. “[…] Cada filme é apresentação do filme seguinte, que promete reunir outra vez mais a mesma dupla sob o mesmo céu exótico: quem chega atrasado fica sem saber se assiste ao “em breve neste cinema” ou ao filme propriamente dito. O caráter de montagem da indústria cultural, a fabricação sintética e guiada dos seus produtos, industrializada não só no estúdio cinematográfico, mas virtualmente, ainda na compilação das biografias baratas, nas pesquisas romanceadas e nas canções, adapta-se a priori à propaganda. Já que o momento particular tornou-se separável e fungível, descartado mesmo tecnicamente de qualquer nexo significativo, ele se pode prestar a finalidades externas à obra. O efeito, o achado, o exploit isolado e repetível, ligou-se para sempre a exposição de produtos para fins publicitários, e hoje cada primeiro plano de uma atriz é uma “propaganda” de seu nome, cada motivo de sucesso o plug da sua melodia. Técnica e economicamente, propaganda e indústria cultural mostram-se fundidas. […]”.

(Fonte: ADORNO, T. Industria cultural. Trad. Jorge Matos Brito de Almeida. São Paulo: Paz e Terra, 2002. p.40-41)

Theodor Adorno (1903-1969) é um dos nomes célebres da Escola de Frankfurt. Quanto à postura assumida por ele ao analisar o fenômeno da indústria cultural, suas práticas e efeitos como realidade social, assinale a afirmativa correta.

A) Propõe uma crítica parcial da indústria cultural, apontando a educação pautada em valores éticos universais como ponto positivo, porém a negatividade de tal cultura se apresenta na insustentabilidade tecnológica.

B) Oferece defesa da indústria cultura, isso porque seu aspecto popular encoraja a manifestação artística para fora de padrões sociais restritos e elitista do mercado.

C) Apresenta uma crítica à indústria cultural, dado o valor social desta mostrar-se essencialmente comercial, segundo sua análise, na produção e veiculação da arte.

D) Promove a apologia da indústria cultural, sendo seu repercutido caráter ético e educativo para as dinâmicas sociais, os aspectos mais favoráveis desta cultura.

4. Por força da industrialização da cultura, desde o começo do filme já se sabe como ele termina, quem é recompensado e, ao escutar a música, o ouvido treinado é perfeitamente capaz, desde os primeiros compassos, de adivinhar o desenvolvimento do tema e sente-se feliz quando ele tem lugar como previsto.

ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

A crítica ao tipo de criação mencionada no texto teve como alvo, no campo da arte, a

A) burocratização do processo de difusão.
B) valorização da representação abstrata.
C) padronização das técnicas de composição.
D) sofisticação dos equipamentos disponíveis.
E) ampliação dos campos de experimentação.

5. Leia o texto a seguir.

"Sabe esses cantores e bandas que parecem todos iguais, reproduzindo um certo padrão de música que ‘deu certo’ comercialmente? Ou então aquelas telenovelas que parecem seguir a mesma fórmula, sendo esteticamente parecidas e tendo sempre a mesma estrutura, os mesmos tipos de personagens e até o mesmo final feliz? Ou ainda revistas que impõem a seus leitores, veladamente, um certo modelo de consumo e comportamento?" 

(Texto capturado no site https://www.epsjv.fiocruz.br/).

O texto refere-se à:

A) Difusão da Cultura erudita.
B) Produção cultural crítica.
C) Indústria cultural.
D) Políticas públicas de incentivo à cultura.

6. Observe as imagens a seguir, depois responda as perguntas:





A) Por que os objetos retratados nas imagens fazem parte da indústria cultural?

B) Quais são os objetivos por trás da "mercadorização" e massificação da cultura?

Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves: História, Meio Ambiente e Patrimônio Cultural de Belém

Um pedaço da Floresta Amazônica no coração da cidade Ao observar uma fotografia do Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves , em Belém (PA), é...